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Orfeu Rebelde
(MIGUEL TORGA*, in
Orfeu Rebelde , 1958)
(declamação de Carmo
Vasconcelos)
Orfeu rebelde, canto
como sou:
Canto como um possesso
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto, a ver se o meu canto compromete
A eternidade no meu sofrimento.
Outros, felizes, sejam
rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que há gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.
Bicho instintivo que
adivinha a morte
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legítima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza.
* Miguel Torga
(1907-1995)
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Maria do Carmo de
Vasconcelos Figueiredo, nome literário Carmo Vasconcelos, nasceu em
Lisboa, Portugal. É autora de vários livros, Romance e Poemas, bem
como de Palestras, Conferências e Ensaios. A par da sua escrita
tem-se dedicado à tradução e revisão literária de obras portuguesas
e estrangeiras. É autora de vários Prefácios. Pela sua participação
em diversos Jogos Florais teve o privilégio de ganhar numerosos
prémios e menções honrosas. É membro da Associação Portuguesa de
Poetas (onde já integrou os Corpos Directivos), e na Net é
Administradora do GEP – Grupo Ecos da Poesia, Patrono da AVSPE e
Académica na AVPB (cadeira 101).
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