1-Louca vida varrida ...


E varrem a vida não varrem as esquinas nem línguas!
E varrem os pobres não lavam os discursos podres-pobres !
Alguém uma vez disse, gritou num certo Ipiranga:
Independência ou morte !
Hoje somos dependentes ate do lugar da morte.

JF/MG-25/06/05
Maria Thereza Neves

 

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2-Não quero falar de flores ....nem de rosas, elas não falam ...


Eu já escutei isto em algum lugar, não importa, eu não quero mesmo falar de flores nem de rosas!
Pior que as idéias fugiram pela janela, quem sabe seja melhor repensar nas flores ou na rosa?
E pensando, pensando procurando na memória dos meus porões... lembrei d´A Flor e a náusea , era triste, lutava pela vida fiquei comovida, tão fundo me tocou que a ela dei vida e cores.
Mesmo no momento da criação precisei silenciar, Carlos falava:

  "Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
  Uma flor ainda desbotada
  Ilude a polícia, rompe o asfalto.
  Façam completo silêncio, paralisem os negócios
  garanto que uma flor nasceu. "

Eu precisava me juntar a ele, chamar guardas ,parar tudo
afinal alguém estava nascendo .Precisava juntar mãos
como hoje para proteger a massa desfacela, perdida, faminta.

  "Sua cor não se percebe.
  Suas pétalas não se abrem.
  Seu nome não está nos livros.
  É feia .Mas é realmente uma flor."

Carlos, não importa é feia mas realmente é uma flor mesmo que não seja uma rosa.

  " Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde  e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
  Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se
  Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinha em pânico.
  É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.. "

Com esta mania de conversar com imortais, porque sei que me escutam ... acabei combinando com Drummond nesta segunda feira que se abre a mim e ele, neste relógio que já marca 10 horas,de voltarmos a sentar no asfalto voltarmos a furar o asfalto ,romper os ódios, rancores e falar somente de flores, de rosas, quiçá de amores... o resto não mais interessa!

JF/MG-27/06/05
10h
Maria Thereza Neves

 

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3-Talvez amanhã, quem sabe...


Talvez eu tenha sorte.
Talvez consiga acender uma luz nesta escuridão ligue os fios da imaginação e conte uma história mesmo que não seja uma real história.
Por mais que tente, estou criando expectativas em mim, escrevendo linhas após linhas, letras agarradas que não dizem nada.
Arrasto nos minutos, nos segundos em vão.
Cruel agonia vazia que bate de frente sem ter pena da gente.
Sempre preferi as curvas, talvez por isto sempre escrevendo em linhas retas não veja a luz do horizonte ou qualquer saída.
Oca, sem personagens que agigantam, não quero mais pensar
prefiro calar meus dedos e deixar para escrever amanhã.
Quem sabe consiga ...
amanhã será outro dia .

Maria Thereza Neves

 

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4-O Ponto Final. (Mini Conto)


Não é qualquer ponto.
É aquele exato momento mortal.
A tentativa, mesmo perdendo quase o fôlego, antes do último suspiro, entre raras pausas-vírgulas, exclamações, interrogações conseguir expressar pensamentos coerentes antes que a linha termine.
Antes que as portas da razão
e as mãos calem.
Antes do implacável FIM.

12/12/06

Maria Thereza Neves

Publicado no Recanto das Letras em 12/12/2006
Código do texto: T315978


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5-FOTOGRAFIA - (Mini Conto)


Não, não era uma visita.
Era uma recordação que batia à porta.
Um retrato rasgado havia fugido.
Agora colado, sorria na moldura
como fosse uma poesia.

25/11/06

Maria Thereza Neves

Publicado no Recanto das Letras em 25/11/2006
Código do texto: T300716

 

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6-Vingança (Mini Conto)

Revoltados com a trama,
os personagens desatinados
mataram o autor — rasgaram o livro!


23/11/06-10h42

Maria Thereza Neves

Publicado no Recanto das Letras em 23/11/2006
Código do texto: T299129

 

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