SOU APENAS UMA MULHER...

Maria Regina Moura Ribeiro

São Paulo, 30 de janeiro de 2007

 

Sou apenas mulher...

Mas não quero mais saber do lirismo que não é libertação...

Assim como também não quero por companheira a ingratidão.

Estava ontem longe do céu, mas perto do mar...

E tenho certeza que aqui eu sou mais feliz...

Porque eu sou a irmã da solidão dos mares,

e sou apenas mulher...

 

Meu tormento é infindo... porque a vida inteira eu poderia

ter sido uma mulher que não fui...

Mas quando eu estiver cansada e triste

vou sempre me lembrar que a mão que afaga não é a mesma que apedreja.

E por isso eu não vou morrer sufocada...

Vou sim, colocar muitas vozes na minha raiva

e gritar bem alto: Eu sou apenas mulher...

 

Não sou a irmã da solidão sem sentido.

Se tenho tudo que quero, porque estou triste?

Não devo ter o hábito do sofrimento,

devo, sim, cantar porque o instante é único

e porque desejo recuar das origens da minha angústia

já que sei que estou abrindo janelas em cada poema que faço.

Isto porque, mais uma vez, eu tenho certeza que sou apenas mulher...

 

Vou fechar os olhos e pensar numa outra coisa.

Não quero mais chorar... e nem fazer chorar...

Não quero mais tardes e noites a esquecer...

Quero mil estrelas a cintilar e poemas a escrever,

porque sou apenas mulher...

 

Odeio a violência... sou apenas mulher...

Não vejo nenhuma ternura nela.

Vejo sim mágoas e lágrimas amargas.

Vejo, sim, gente humilhada... mas sou apenas mulher...

Não consigo contemplar completa selvageria.

E tenho pena dos ossos que choram...

mas ainda bem que tudo terminou.

Graças a Deus, agora é errado bater

de qualquer jeito e em qualquer ocasião.

E eu digo então: violência não!!!!

 

Sou apenas mulher, mas não uma mulher apenas.

 

* * *

 

EU SOU...

Maria Regina Moura Ribeiro

São Paulo, 26 de fevereiro de 2007

 

Eu sou uma pessoa comum

Adoro outras pessoas, não importa

raça, sexo ou cor.

Mas tem que haver calor humano,

para se gostar de qualquer ser.

 

Nasci nos pampas gaúchos,

o sol tentando aquecer o vento,

embora sem conseguir.

Eu sou prenda gaúcha,

não lido bem com a tristeza,

pois o riso é meu companheiro,

e dou gargalhadas o ano inteiro.

 

Nas escolas sempre às voltas

com problemas de sotaque,

não me safei do preconceito.

Mas tenho certeza que é meu direito

falar de qualquer jeito.

 

Eu sou honesta demais,

daquelas que tudo falam.

Isto não se deve fazer jamais

pois as pessoas não entendem

e chega, já sofri demais.

 

Eu adoro a minha vida presente,

fiz tudo que quis e o que não fiz

foi porque Deus não quis.

Agora vivo intensamente e feliz.

 

* * *

 

A VIDA É

Maria Regina Moura Ribeiro

São Paulo, 8 de março de 2007

 

A vida é uma oportunidade, aproveito para vivê-la intensamente.

A vida é preciosa, cuido para não desperdiçá-la.

A vida é riqueza, tento conservar o que já amealhei.

A vida é amor, amo sempre a todos que me rodeiam.

A vida é um mistério, sei que vou conseguir desvendá-lo.

A vida é de uma beleza ímpar, admiro-a diariamente.

A vida é um desafio muito grande, que enfrento com galhardia.

A vida é um sonho maravilhoso, tento torná-lo realidade sempre.

A vida é um eterno jogo, mas eu não sei jogar.

Mas a vida é um belo dever, que tento cumprir há 62 anos.

 

* * *

 

TOMEI UMA DECISÃO: É URGENTE VIVER...

Maria Regina Moura Ribeiro
São Paulo, 29 de junho de 2007

 

Acordei e tomei uma decisão.

É urgente viver, chega de lamentação,

preciso resolver a situação...

Viver requer meditação,

mas também muita ação.

Perninhas sem sensibilização

não podem ser um problema, não.

Vou seguir o conselho do maridão:

"se não puderes calçar sapato, não chora não,

anda descalça para sentires o chão".

Agora preciso da sua opinião:

seria isso uma solução?

Estarei preparada para a gozação?

 

* * *

 

DICÇÃO E MÁGOAS

Maria Regina Moura Ribeiro

São Paulo, 30 de agosto de 2007

 

Eu não queria participar,

não queria de dicção falar,

nem de palavras escrever.

As pessoas podem ser cruéis,

quando não entendem nosso linguajar.

As pessoas podem ser más,

quando não conhecem nosso pensar.

Mas como não tenho mais 6 anos,

me permito de tudo isso falar.

Posso disso conversar,

com certeza sem chorar.

 

* * *

 

UM DOCE DESATINO POR TI

Maria Regina Moura Ribeiro

São Paulo, 1 de setembro de 2007

 

Foi meu doce desatino

colocar em tuas mãos o meu destino.

Me iniciaste por caminhos floridos

numa adolescência de sentidos.

Percorremos caminhos de primavera

nestes 42 anos de amor intenso.

E como um floral incenso,

nos acompanhou o perfume das flores.

E se também houve dores,

sempre juntos, sofremos e amamos,

fazendo o nosso destino.

A harmonia foi nossa companheira

e o amor a nossa meta verdadeira.

Agradeço a Deus por tão grande,

doce e intenso desatino...

***

 

 

 

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