Nasci
no Barreiro., em 20 de Fevereiro de 1944. Fui
moldada pelo barro ao qual meus pais deram o
sopro de vida. A minha existência, foi forjada
pelo aço e pela limalha nesta terra, bandeira
de resistência e símbolo de quem trabalha.
A meus pais gostaria de lhes prestar aqui uma
pequena homenagem pelo amor que sempre tiveram
um pelo outro. Viveram 65 anos juntos e sempre
vi em seus olhos o mesmo encanto. Eu vos
amarei por toda a eternidade!
Foi desse amor que eu nasci, mais os meus 6
irmãos. Tive uma infância equilibrada. Cresci,
estudei e comecei a trabalhar.
Entrei para o ensino com pouca convicção… até
que assumi plenamente ser professora. Isso
exigiu que eu saísse da minha terra por alguns
anos. Leccionei em Portalegre, Funchal,
Abrantes, Elvas, Seixal e, voltei ao ponto de
partida, ao Barreiro, para terminar a minha
carreira. Gostei muito do meu trabalho e,
aprendi muito mais do que ensinei. Entretanto,
casei e tive um filho. A vida cansou de me
privilegiar… e levou o meu amor, naquele final
de Outono, numa viagem sem regresso. Vivi com
ele 18 anos que foram os melhores da minha
vida.
Mergulhei na escuridão. Mas pouco a pouco fui
emergindo até que, tal como Fénix, sacudi as
cinzas das minhas penas e recomecei a viver.
Aí começaram os poemas…
Sinto que estou iniciando um novo capítulo na
minha vida ao partilhar sentimentos
que me escorrem da alma como água e, melhor
ainda, é a sublime sensação de me sentir
profundamente envolvida pela poesia..e pelos
amantes da poesia aqui em Ecos_De_Poesia e no
Café50.
Fica, porém,
Incompleta
A minha biografia.
Mas, se um dia,
(quando eu de novo voltar
para o barro)
Alguém,
Achar por bem,
E a quiser terminar,
Pode dizer,
Porque eu até vou gostar,
“Hoje deixou de bater
um coração de poeta”.