Os sinos

 

Zeluiz – aprendiz de poeta

 

 

O que me atraem e me convidam para entrar são os sinos

com suas vozes de lamentos me chamando para rezar

me ajoelho, faço pedidos e entôo hinos

peço a Deus para desse pobre homem cuidar

 

O silêncio me convida a pensar

abro meu coração para todas emoções

junto as mãos e me permito chorar

me humilho e faço minhas confissões

 

Naquela penumbra sou igual a toda gente

é um lugar santificado onde vamos glorificar

oramos com fervor e somos todos tementes

suplicamos ao Criador pelo dia que irá nos julgar

 

Não é uma casa bonita, mas muito acolhedora

como um consultório tem até sala de espera

os bancos desconfortáveis acolhem as almas pecadoras

que buscam a paz naquela pequena capela.

 

São Paulo 10 mai 2006

 

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Badaladas

Marilú Santana

 

Elas ainda ecoam nítidas na minh'alma

Era a voz daquela igreja tão pequenina

Acordando outra dentro daquela menina

Ingênua e fervorosa em toda contrição

 

Ouço-as ecoando nas alegres chamadas

Em um clamor vindo d'outra dimensão

Nas tão poucas alegrias rezadas

Já nas dores, quanta oração!!!

 

Da escola ainda ouço o repique arrepiada

Correm as crianças para enterrar o anjo

O caixão era apenas uma telha usada

Siquer a flor de cactus tinha para arranjo!

 

Lúgubre mesmo eram as badaladas

Do "sinal" dizendo mais um passamento

Eram poucas e tantas almas consternadas

Tão próximas provando dor e sofrimento

 

Ecoa meu sino bem alto nessa igreja alada

Do morro mirando a minha serra azul

Sempre te vejo numa linda luz banhada

Pela estrela do canto no cruzeiro sul!

 

Recife - 11 de maio de 2006

 

SOM: Castres - Jean Pierre Carme - Sinos e carrilhões do Convento de Mafra - Portugal

 

Imagem de Fundo: Frozen ship's bell - krevne images

 

 

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