AOS DEUSES GREGOS_ROMANOS

Caí nos braços de Morfeu,
Embalada por ondas aniladas
De sonhos e quimeras esfarrapadas,
E acabei nos líricos cânticos d'Orfeu.

Amanheci ao lado de Fauno,
Profecta e protector dos rebanhos,
Deus campestre, guia d'anhos.

Se pudesse escolhia Apolo,
Belo Deus grego e romano,
Do dia e do Sol, das artes e dos poemas,
E que me deixa metida em dilemas...

A sua irmã Diana,
Deusa da caça, dos bosques raínha,
Com seu cortejo de ninfas,
Tem vida de princesinha.

Mas a bela Deusa Vénus,
Também chamada Afrodite,
Nascida da espuma do mar,
Muitos gostariam de amar...!

Júlia Molico

***


HINO À PRIMAVERA

Primavera,
Estação do renascimento.

Numa explosão de dor,
De alegria, de vida,
Campos, árvores, flores
Vêm ao mundo, com esplendor

As sementes florescem
Irrompendo das entranhas,
Húmidas e quentes,
Como se fossem filhos paridos
Saídos de úteros ardentes

Canta-se um hino à natureza,
À primavera em flor,
Que nos acalenta, nos dá esperança
D'uma vida melhor, com muito amor

Júlia Molico
21/03/06
(Equinócio da Primavera)

***


OS MEUS POEMAS MORTOS

Os meus poemas mortos
São poemas de saudade,
Fraccionados em pedaços
De vida... de abraços,
Que nos trazem ansiedade

São poemas que ficaram
Numa gaveta, em sossego,
À espera de serem lidos
Por corações empedernidos

São poemas com fervor
Que, por estarem ausentes,
Falam de amores ardentes
Mas com medo de se expor

Os meus poemas mortos
-Infeliz de mim -
Levam-me p'la ignorância da vida,
Soluçando em despedida,
Entregando-me como deusa fenecida

Júlia Molico

***


PORQUÊ AS CRIANÇAS?

Olhos tão tristes, sem expressão
Tinha aquela criança, que impressão...!
Ficaram gravados em mim,
Olhos duma tristeza sem fim...!

Queria afastá-los do pensamento,
Que os sentimentos os levasse o vento
Mas enroscaram-se na minha mente
Como uma enleada serpente

Passaram a fazer parte de mim
No sangue, na carne os sinto assim
Cravados, fixados como tatuagem
Que fica para sempre na imagem

Olhos que, apesar da dor, não choram,
No coração as lágrimas secaram
Deixando cicatrizes, e aos que oram
Parece-lhes que Deus os olvidaram

Júlia Molico
(Dia Internacional da Criança)

***


GESTAÇÃO

Universo, gestação
Embrião que cresce
Em corpo de mulher
Sempre em transformação

Luas passando,
Envoltas em sonhos e anseios,
Despojos de dias vazios

O momento se aproxima,
Esplendor e amor se abraçam
Em torno da expectativa
E eis que tu,
Frágil e forte,
Entras na nossa vida

Júlia Molico
(poema dedicado aos meus filhos)

***


AO MEU PAI

Depois de seis anos passados
Sobre o dia em que partiste,
Ainda dói a saudade...
Embora com serenidade

Foste muito mansamente
Como tu sempre viveste,
Deixando um enorme vazio
Em nossos corações sentidos,
E ... para sempre sofridos

Meu pai vela por nós
E pede aos anjos do céu
Que um dia nos encontremos,
E todos juntos fiquemos

Júlia Molico
19/03/06

***

 

 

 

Powered by CódigoFonte.net

 

contador, formmail cgi, recursos de e-mail gratis para web site