O
silêncio dos Inocentes
Estela Belém
Não, não me vou calar, quero
gritar,
Bem alto, a minha indignação,
Quero insurgir-me contra
aqueles,
Que julgam que tudo podem.
Que fazem a guerra, amordaçam,
Esmagam, trafegam mulheres,
Violam crianças, sem dó nem
piedade.
Não, não me vou calar, quero
gritar,
Ao fim do tráfego, ao poder
viciado,
Aos lobies, aos grupos de
influência,
Malefícios deste Mundo global.
Queremos um mundo melhor,
Sem guerras, sem fome, sem
vícios,
Com a dignidade que os povos
merecem!
***
Aquele Olhar
Estela Belém
Aquele olhar tão profundo e
triste,
Olhar perdido, espelho da alma,
Que,
naqueles olhos, transparece,
Tão
suave, tão doce, tão calmo...
Olhar assim, nunca antes tinha
visto,
Triste, mas calmo, profundo, mas
doce,
De
um tom castanho, cor de mel,
sentido,
Que
espécie de tristeza, conterá ele?
Aquele olhar, transmite sensações,
Que
são controversas, desde dor, pena,
Amor, saudade, desamor, que mais?
Sentimentos que se misturam e se
desligam,
Para
se unirem, num simples olhar,
Aquele olhar, que nos deixa
atordoados,
Sem
saber como agir ou reagir,
Se
olhar, ou simplesmente sorrir.
***
Sinto... Não sinto...
Estela Belém
Sinto e não sinto...
Como quero e não quero...
Fase estranha esta, que me
confunde,
baralha, desilude!
Estou à espera, de quê? nem eu
sei...
Talvez um amanhecer diferente e
Diferente também um anoitecer.
Passo pelas pessoas e nem as vejo,
Envolta em pensamentos nebulosos,
Pensando na vida e nos meus
desejos,
De ter e não ter a quem querer!
Quero partir, mas não sinto leves
as asas,
Desespero por não ter essa força,
essa vontade,
Ou o meu querer não ser bastante
esforçado.
***
Alma
Lusitana
Estela Belém
Barcos, ondulantes,
Vibrantes,
Navegantes
De mil mares,
Soltaram as amarras,
As âncoras,
Desfraldaram velas,
Enfrentaram tempestades.
Partiram, à descoberta,
De outros oceanos,
À conquista, de outros
Continentes,
Tão longínquos e estranhos,
Como as suas gentes,
De todos os credos e cores,
Mas de coração puro.
Cruzaram-se, com amor,
Dando origem ao Mundo
Lusófono que, tanto amamos,
Onde nasceram belos mestiços,
Que hoje representam,
A alma Lusitana, em
Todo o seu esplendor.
***
Viver na Capital
Estela Belém
A
tarde cai taciturna
na cidade azul e fria,
o movimento é grande,
debandada geral.
a urbe despovoa-se
impera o silêncio...
residentes aguardam
a paz do anoitecer,
o merecido descanso.
Cidade que vibra,
enche escritórios,
espaços comerciais,
barulhos, trânsito,
correrias infernais
em direcção ao cais,
aos portos de abrigo,
noites entorpecidas,
manhãs submersas.
O
ritual, repete-se
dia após dia, sempre,
provocando loucura,
alucinações, mal geral.
que bom viver na Capital!
***
Fuga
à solidão
Estela Belém
Procuro tudo, corto barreiras,
abro portas semi fechadas,
procurando descortinar
as razões da exclusão.
Não quero ver ruas, praças
jardins, cheios de pedintes
dormindo em cama de papelão.
Não
quero ver cidades desertas,
onde as pessoas se escondem
nas suas tocas de conforto
para fugir à solidão.
Não quero ver a adversidade
estampada em rostos tristes,
carregados de desilusão.
O
mundo gira e as cidades caem.
não há vida para lá das rotinas,
apenas o buraco negro da noite.