que não sinto o teu abraço
não ouço a tua voz
não me deito em teu regaço
Faz tanto tempo...
que não sinto teu olhar
repreensivo atento...
às minhas culpas fugazes
Faz tanto tempo...
que não estamos à mesa
e um lindo bolo enfeitado
e nem aquela vela acesa
adornou nosso jantar
Faz tanto tempo...
lembras? - ao Domingo à tarde
o passeio, no parque da Penha(*)
eu e tu na roda gigante...
um gigante num coração de menino
dando voltas ao destino
como a roda a girar...
Faz tanto tempo...
quando em país tropical
e no passeio matinal
ia-mos rumo à praia
e tu eras o meu mestre
minhas primeiras braçadas
me quiseste ensinar.
Pai!...
Faz tanto tempo...
que não contamos os teus anos
a idade parou no tempo
e a tua imagem guardamos
serena e jovial.
Faz tanto tempo...
que este dia de nossa vida
deixou de ser festivo
com saudades...
a tristeza disfarço
neste dia catorze de Março
em que vieste ao Mundo despido
Faz tanto tempo...pai..
que tu partiste
e a saudade persiste,
ficou só a lembrança
de uns tempos de criança
em que tudo era completo
Pai...Mãe...filhos...
e muita Esperança.
Cecília Rodrigues
Portugal
14/03/06
(*)Parque de diversões no
Santuário da Penha
Indelével Momento Cecília Rodrigues
Indelével momento, finda o dia...
O mais belo poema eu vou te ofertar
Com laços de cetim, bela poesia,
Dentro d'uma concha azul do meu mar.
E suavemente com muita harmonia
De mansinho ali pouso o meu olhar
Daquela concha azul emergia,
Das profundezas, o mais belo sonhar.
Era de sereia era de magia,
Era a ventura que do mar trazia
Um cândido e silencioso cantar;
Deixando que o espírito nos reja
O mais sublime que o corpo deseja
Ir nas marés, daquele marujar
Cecília Rodrigues
17-03-08
Conto as horas do tempo... Cecília Rodrigues
Já sem ser eu a dona do meu coração
E nem a coqueluche dos rapazes,
Oh! Vida já vivida, o que me fazes!?
O desfiar em cântico esta solidão!
E nesta breve estância, prende-me a
mão,
Evidencia horas tão fugazes...
Das Primaveras, tão lindas frases,
Da mocidade; minha sublimação!
Eu já perdi do tempo, toda a conta,
Conto as horas do tempo, e já tonta!
Reverto em todo o tempo, esta saudade!
Toldado sob um manto de seda airosa,
C'o perfume d'uma alvacenta rosa...
Apraz-me o tempo, esta felicidade!
Cecília Rodrigues
Junho_07
Alquimia Cecília Rodrigues
Das palavras que brotaram
tenho a alma vazia.
De tanto eu gritar
Tenho a voz rouca.
Das musas que me inspiraram,
Tenho imagem luzidia.
De tanto as clamar
Já nem sei se sou louca.
Com o brilho das noites,
Banho o meu olhar,
Meus dias são árduos,
São de horas poucas.
Compostos de sonhos
Que eu quero abraçar.
Desdobram-se veementes
Ledas ilusões...
vertiginosas,
Ao nascer de cada aurora.
sob um sofisma silente...
Ânsias, percorrem a periferia,
valsejam entre condões de esperança
E com olhares de alma alheia...
Eu redimo-me e com pujança,
Reclino-me sobre toda esta teia...
abraço meu sonho de criança,
Enleada com toda esta alquimia.
Revigoro a cada instante...
Toda esta Luz que me alumia!
Cecília Rodrigues
Ondas e Marés Cecília Rodrigues
Agigantas-te em alva espuma
Quando açoitas o inerte rochedo…
Em ondas e marés de bruma…
Navego, nas tuas marés de mar-alto
Em vagas atrevidas e sem medo…
De pés na calçada luto contra o tempo
E em passos silenciosos avultam-se
sonhos.
São remansos de uma vida reflectidos
Enquanto o acelerar dos passos é mais
veloz
E nos pensamentos, slides pertinentes
Projectados enquanto a vista corre.
E a voz do vento, traz um doce acenar
E o arremessar de um beijo terno
Que chega até mim em forma de elixir…
Espraio a onda que vem de mim
Neste compassado silêncio…
Nesta corrida contra o tempo…
Esse tempo que avança algoz
Apenas interrompido por instantes
Num pouso da ave muito suave
Nesta paisagem, da Figueira da Foz.
Cecília Rodrigues
Buarcos _ F. Foz_ Abril_07
Bailando um soneto Cecília Rodrigues
Urde um verso
Na teia do Poema
Lépido um outro
Segue a cena;
Urdindo o tear …
E são três na novena,
À espera do quarto
Que a rima ordena.
Num teor sentido
Um quinto aflora
E num ápice repetido
Um sexto se forma.
Ao sétimo, é preciso
As sílabas juntarem
Formando um oitavo
E um quarteto, torna.
Ao nono acresce
Um verso de amor
Dez sílabas, é o décimo
Vem o “onze” sorrateiro
E um terceto aparece
Vem o “doze” e reclama
Ficar só é péssimo:
Venha, o décimo terceiro!
Sem o décimo quarto
O soneto não tem fim…
De amor ou solidão
Ou de lânguida paixão
Heróicos de Camões,
Alexandrinos, de Assis;
Os sonetos são, Canção!
Estende-se na memória
De todo o que “O” canta
De alma que se alevanta,
Em chama e em Glória
Catorze versos, melodia,
Formam o tear da poesia
Onde o poeta com mestria
O soneto reverencia!