VIDA DE DONA DE CASA

Alma Collins 

 

Acordei cedo hoje. Isso acontece sempre. Se não é o despertador que me acorda, então é minha gata carente que não pode comer a primeira refeição sem a minha presença. Retrato tudo isso porque hoje é domingo e são 6:00 horas da manhã.

Te parece cansativo? Eu nem comecei.

Depois de um breve café da manhã, em pé, pois não dá tempo de sentar e saborear o leite tingido de preto, com seu aroma e sabor suculentos, que descem de uma vez só até a boca do estômago, mas que o cérebro não processa, pois está pensando nos afazeres do dia.

A roupa está de molho desde o dia anterior. Está na hora de lavá-la. Enquanto a roupa bate na velha e barulhenta máquina de lavar, olho para a pia e vejo vestígios do meu cansaço de ontem à noite. Está toda a louça do jantar para lavar. Porém, antes de começar, a padaria me espera com seu pãozinho quente. Para mim? Não. Para o meu filho e meu marido que precisam sair.

De volta a casa, a roupa ainda exige cuidados. Ah! Esqueci de limpar a areia da gata e trocar a água do cachorro. E a louça está lá! Mas a preparação da refeição matinal da minha família vem primeiro. Tudo preparado. Acordam, comem, conversam e se vão. Olho para a pia novamente. Extraordinário! A louça se multiplica em PG. Juntou a da janta com a do café da manhã. E eu continuo olhando para ela. Hora da roupa ir para o varal. Mas eis que, ao pendurar uma calça jeans, a cordinha que sustentava o varal não agüentou e se rompeu. Você não imagina como fiquei feliz! Tira-se toda a roupa e parte-se para serviço de homem (isto é como dizem os antigos. Hoje em dia todo mundo faz tudo. Será?). Tudo consertado e a “famosa” roupa no varal.

Já são 11:00 horas e penso nos quartos. Existem as camas para arrumar. Olho de novo a pia e lá está ela. Cheia, repleta, borbulhando de louça suja. Mas um dia eu chego até aí. Camas arrumadas. No meio do caminho do quarto para a cozinha, ainda passo no banheiro para trocar o lixo do cestinho e dar uma limpada na privada.

Finalmente cheguei à louça. Olho com olhar de desdém. E ela continua me esperando. Quando decido desabafar com você, seja homem ou mulher, que seja qualquer criatura que possa compreender que dona de casa não tem muito descanso, não tem salário, não tem férias e ainda se exige um sorriso no rosto e um bom humor exuberante, de manhã até a noite, principalmente à noite (já sabem o que quis dizer, né?). Quem sabe, falando com você como estou fazendo agora, tenha mais força para continuar o dia, já que este é só metade de um domingo. Qualquer dia te conto como é no meio da semana, ou você nem quer saber?

Pronto, já desabafei. Escrever não deixa de ser um trabalho, já que vivo disso também. Mas o prazer é maior, porque tenho você por perto e isso me faz crer que tua vida pode não ser igual, mas que a minha, você vai entender.

Me desculpe, tenho que parar. Lembra da louça? Ainda está lá pra lavar. Aqui vou eu!

MATERNIDADE

 

 

-         Mãe! Me dá dinheiro pra comprar um sorvete.

-         Mãe! Onde está aquela minha blusa amarela?

-         Mãe! Preciso de uma bolsa nova.

-         Mãe! Tô com fome. Me faz um lanchinho?

-         Mãe! Telefona pro colégio pra ver quando é a matrícula

-         Mãe! Me dá um beijinho?

-         Mãe! Meu irmão brigou comigo

-         Mãe! Acho que o pai gosta mais de mim do que você

-         Mãe! O que tem para o almoço hoje?

-         Mãe! Você ainda não passou minha calça azul?

-         Mãe! Me ensina matemática?

-         Mãe! Vou sair... Táaa Bommm, eu vejo se consigo voltar cedo!

Antes de dormir, já tarde da noite, a mãe pede tudo de melhor às forças do universo, aos santos, à Deusa, à Deus, ao Pai, à Maomé, à Jeová, à Ala, à Krishna e quem mais houver, pelo anjinho que é sua filha.

A verdadeira maternidade cuida, protege e se desdobra nas mais difíceis tarefas. Tampa o sol com a peneira. Enfrenta problemas já com a possível solução em mente. E, acima de tudo, aceita de um filho o que nenhum animal aceitaria de outro. Maternidade, uma força designada para a mulher, mas que muito homem exerce hoje em dia. Uma força especial que nem todo o mundo possui, somente aqueles que sabem o que é o amor de mãe.

- Mãe! Quero colo!

 

 ***

 

O CÓDIGO DO AMOR

Alma Collins 

 

Estava pensando em que escrever e, de repente, me cai nas mãos um texto de um psicanalista chamado Wilson Meiler, cujo título é O nó do afeto e outros nós. Talvez fosse sobre isso mesmo que eu precisava escrever, ou talvez muitas pessoas precisassem ler. Não sei que forças me levaram a escrever sobre esse assunto, mas ele conta sobre um texto que leu que dizia o seguinte:

Um pai trabalhava muito, porém nas suas horas de folga, dava uma atenção extraordinária ao filho. Brincava, passeava e se tornava uma verdadeira criança em companhia do filho. Mas como trabalhava muito, passava dias sem ver o filho. Pela manhã saía e a criança estava dormindo. Quando chegava à noite, o filho já tinha se deitado. Conclusão, eram poucas as horas que o pai podia demonstrar carinho pelo filho. Então ele teve uma idéia. Quando chegava de noite, entrava no quarto do filho, orava pelo filho, conversava com ele ou apenas lhe dava um beijo. E, quando saía, dava um nó na ponta do lençol. Assim quando a criança acordasse, saberia que o pai esteve ali junto dele. Nenhum dos dois nunca comentaram sobre este código. Um dia, o filho já adulto, comentou com o pai que o que mais ele esperava de sua vida, era encontrar os nós no lençol.

Por esse texto, vemos que o verdadeiro amor não necessita da presença constante. A presença física pode ser somente uma coadjuvante na demonstração de carinho. A necessidade de ter a pessoa amada ao lado o tempo todo, pode não ser o real amor e sim uma grande paixão. O amor dá liberdade para que suas vidas possam seguir separadamente, porém os bons momentos ficam marcados, fazendo com isso que, quando se lembre da pessoa amada, ou quando se depare com códigos estabelecidos entre os parceiros, volte a renascer a presença do sentimento que os une. E isso já é motivo bastante de preenchimento, fazendo com que quem ama realmente, nunca se sinta só.

Mas o amor ou a expressão de carinho, também necessita de criatividade. Encontrar formas só suas de demonstrar amor é preponderante. Isso faz demonstrar sua individualidade e cria um código único entre as pessoas que se amam.

Há diferentes formas de demonstrar amor. E a demonstração do amor está longe do ciúmes, está longe da posse e está longe da carência com sua conseqüente cobrança. O verdadeiro amor dá a liberdade de cada um ser como é, e mesmo assim inseparáveis.

Qual é o seu código de amor? Ainda não tem? Tenho certeza que, lá no fundo, somente seu jeito de ser, já te codifica. Mas se precisar de códigos extras, o próprio amor lhe dará criatividade para concebê-los.

Mas a demonstração do verdadeiro amor pode não ter código. Pode ser simplesmente o amar. E nesse sentimento, automaticamente encontramos formas de expressá-lo. O verdadeiro amor não se guarda dentro do peito. Ele se debate. Ele nos faz tomar atitudes, ou nos faz ter expressões que demonstram todo o afeto que sentimos.

O importante é que, codificado ou não, o verdadeiro amor sempre dá um jeito de sair do peito, fazendo com que a união, mesmo que só em pensamento, ocorra.

 

***

 

CONTOS

 

CASAMENTO POR CONVENIÊNCIA

Alma Collins 

 

Francisca queria se casar

O ideal era um homem rico para seu par

Procurava-o em todo o lugar

Já pensava em não encontrar

 

Andava e andava ao léu

Com um ar tristonho, puro fel

Mas eis que como uma gota de mel

O seu sonho se tornaria realidade fiel

 

Mario era um homem com pouca qualidade

Mas seu pai possuía muito dinheiro na verdade

Doava altas quantias por caridade

Era um homem honrado com lealdade

 

Francisca pensou: “Achei o par perfeito!”

O filho, como é de direito

Herdará toda a fortuna num futuro estreito

E se casará comigo sem nenhum preconceito

 

Ela se casou com Mario como queria

Começou a conviver como marido e mulher dia após dia

O interesse pelo dinheiro já não era suficiente, percebia

Para permanecer com aquele homem em parceria

 

Os dias se passaram e o velho não morreu

Mario gastou tudo o que era seu

E o sonho de Francisca desfaleceu

Pois nem em um restaurante caro ela comeu

 

O tempo passou

E a vida de Francisca infernizou

Mario mandou que ela trabalhasse fora. Pasmou?

E foi aí que ela se separou

 

Partiu desiludida

O que fez de sua vida?

Tornou-se uma mulher sofrida

Sem pouso, sem teto, sem guarida

 

Mario casou-se outra vez

Com uma mulher rica, com muita altivez

E Francisca foi trabalhar de empregada doméstica na Vila das Mercês

Carregando consigo o sonho que se desfez

 

Parece que a justiça sempre aparece

Para quem não esquece

Que a honestidade aquece

Aquele que com amor enternece.

 

***

 

A MULHER QUE FALAVA COM ESPÍRITOS

Alma Collins  

 

Na rotina do dia a dia

Seguia sua vida tranquila

Trabalhando, estudando

E seu filho, criando

 

Numa situação de desespero

Quando o filho matreiro

Na boca se machucou

Uma voz na mente ecoou

 

Sem saber de onde vinha

Olhou de lado, maravilha!

O som vinha de cima

Coisa nova se descortina

 

Na vida corriqueira

Da mulher faceira

Dali pra diante

Não parou um instante

 

Ouvia, ouvia e ouvia

Palavras, conselhos e sorria

Pensando ser coisa boa

Aquela voz que entoa

 

Muita coisa estranha acontecerá, disseram

E assim foi o que fizeram

A rotina de uma mulher

Se tornou uma vida de mal me quer

 

Eram tantas as vozes que vinham

Que nem tempo tinham

De explicar com detalhes os acontecimentos

Que durante vários tempos

 

Acompanhou essa pessoa

Que já não ria à toa.

Mas a coisa foi acalmando

Pouco a pouco se calando

 

E hoje resta a marca

De navegar naquela barca

De vozes do além

Vindas não sei de quem.

 

***

 

CONTO - O CRIADOR DE MUNDOS

Alma Collins 

 

Apesar do casamento ter sido arranjado pelas famílias, Alexandria e Enás, eram um casal feliz. Aprenderam a se amar e a se respeitar com o convívio.

- Enás, tenho uma coisa para te contar. Estou grávida.

Uma mistura de surpresa e contentamento tomou conta do marido. Este mesmo sentimento permaneceu seguidamente por onze vezes. Tiveram onze filhos. Na seqüência: Meca, Teodoro, Jonatas, Jamile, Mota e Mario (esses nasceram siameses, grudados por um lado do corpo), Samanta, Fauzi, Selena, Danton e Fausto.

Era uma família grande e barulhenta. Unida a princípio, mais pela força do sangue do que pelo amor entre irmãos.

Meca era a mais velha. Vaidosa, cheia de vontades. Adorava namorar.

Teodoro era o revolucionário. Autoritário e de bonitas feições. Mostrava seu poder entre os irmãos mais novos.

Jonatas, o mais carinhoso entre os irmãos. Gostava de poesia e fotografia. A responsabilidade estava na sua qualidade mais primorosa.

Jamile era a mais risonha. Sempre tinha planos. Começava a executá-los, porém sempre parava na metade. Nunca conseguia ir até o fim de um sonho ou dever.

Mota e Mario, os siameses. Era impossível a separação por cirurgia, tendo que permanecerem unidos por um corpo, separados por cabeças diferentes. Por isso viviam brigando. Queriam liberdade e independência. Nunca conseguiram chegar a um acordo.

Samanta não conseguia ir bem na escola. Sempre desatenta. Parecia viver no mundo da lua.

Fauzi gostava de música, mas se envolvia sempre com as piores companhias, o que causava muitas preocupações para os pais.

Selena era calada, observadora e tímida. Vivia fechada em seu mundo e não expunha suas opiniões a ninguém. Chegava, às vezes, a ser submissa, aceitando ordens sem contestar.

Danton era ambicioso. Sua maior paixão era o dinheiro. Poderia fazer qualquer coisa para consegui-lo.

Fausto, o mais novo, era muito imaturo e dependente. Por mais conselhos e exemplos que aparecessem à sua frente, tinha dificuldade em assimilá-los e, conseqüentemente, crescer.

Viviam em Maktra, um planeta onde a lei do mais forte imperava. A solidariedade não era notória. Todos queriam tirar vantagem sobre todos. Estavam acostumados a isso, pois não conheciam outro mundo. Essa situação de rivalidade fez com que a inteligência fosse além de nossa imaginação, com máquinas, equipamentos e veículos indescritíveis.

Assim vivia a maioria das pessoas.  Somente Jonatas, com a mente de poeta e o ideal de um sonhador, sonhava com um mundo diferente, sonhava com uma vida diferente.

Neste mundo caótico, aos poucos, vários líderes vão surgindo entre grupos que se formavam. Todos propagando e procurando interesses pessoais, evidentemente recheados de ganância. Esses grupos vão unindo-se através de acordos, não só de palavras mas monetários também. Até que essa união transforma-se em duas facções. Simplesmente duas correntes antagônicas separam-se para reivindicar quem exerceria o poder absoluto dali por diante e quem teria total controle sobre o poder econômico.

A violência nesta época tornou-se rotina. A escravização de pessoas e o direcionamento obrigatório para uma ou outra facção viraram coisa comum. Todos eram obrigados a tomar partido da Áurea – grupo que queria o poder, com algumas qualidades humanitárias como assegurar trabalho para o chefe de família, porém, quem possuísse maiores riquezas, possuía também maiores privilégios. Ou então tomar partido de Famia – grupo interessado no poder e riquezas que estivessem disponíveis ou não. Incluía o direito de invadir casas e propriedades para roubo e saques.

Os homens da família de Alexandria e Enás foram chamados para guerra. Exceto Mota e Mario, devido a seu problema, foram autorizados a ficarem em casa. O que não era de todo tranqüilizador, pois em busca da liberdade, os dois faziam uma guerra própria. Enás e seus filhos optaram pertencer à Áurea, já que possuíam alguns poucos bens e não queriam perdê-los, além de conhecer pessoas influentes ligadas a essa facção.

A guerra foi trágica para todos, mas principalmente para esta família, onde a vida não era perfeita, porém, rotineira, transformou-se numa verdadeira avalanche de acontecimentos brutais.

Ligado à grande hierarquia da facção Áurea e com a ânsia de vencer a qualquer custo, Enás articulou um plano que fugia a todas as regras morais e as leis que regiam aquele planeta. Foi procurar Anai, um mago negro que vivia em uma caverna. Este não possuía nenhum bem, mas também era simpatizante de Áurea. Enás contou-lhe o plano. Anai arregalou os olhos e disse:

- Você está louco Enás? Isto vai contra todas as leis de Maktra e também contra todas as leis da magia.

Enás não deu ouvidos ao mago. Fez vários outros contatos, estudou com afinco, se preparou bastante. Quando se sentiu pronto, simplesmente utilizou todo o seu conhecimento e sua força para aplicar em magia e obter controle sobre todas as forças da natureza. O plano tinha tudo para dar certo. Se o oponente não se rendesse, simplesmente ele destruiria todas as regiões do planeta onde os Famia escondiam-se. Toda a concentração de energia, todas as palavras mágicas, todos os pontos a serem atacados, tudo estava muito bem planejado e estruturado, tudo pronto para ser utilizado caso fosse necessário.

Jonatas, o mais carinhoso dos filhos, seguia seu pai por todas as suas andanças. Acompanhava-o até nos estudos de magia, aprendendo muita coisa que mal sabia ele que iria usar num futuro próximo. 

A primeira notícia ruim paira sobre esta família. Teodoro, o filho mais velho, morreu numa das lutas entre as facções. Enás, antes mesmo de sua tristeza abater sua mente, preferiu logo a vingança e achou que era o momento certo para executar seu plano.

Tudo estava pronto para isto, somente ele não contava com um empecilho. Havia, entre os membros de Áurea, um agente de Famia disfarçado e infiltrado, que com o tempo, tornou-se o melhor amigo de Enás. Este melhor amigo foi também o pior inimigo, pois divulgou todo o plano secreto à facção inimiga, minando assim a possível vitória de Áurea.

Sem saber do agente infiltrado, Enás resolveu agir. Jonatas o acompanhava. Caminhou vários quilômetros até a gruta de pedra rosa.  Clamou aos deuses todo o poder da natureza, utilizando palavras mágicas e rituais com fogo e ervas. Surge, então, no ar uma claridade imensa. O vento uivava como lobo em lua cheia. Trovões e relâmpagos e até uma pequena garoa. Aos poucos, tudo isso foi abrandando até o sol voltar a brilhar. Então Enás e seu filho Jonatas resolvem voltar à cidade. Lá chegando, encontra um verdadeiro alvoroço. Havia muito espanto mesclado com alegria. Todos os membros de Famia (a facção adversária), haviam morrido. Enás olha para o filho com olhar de vitória.

Porém a vitória transformou-se numa derrota infinita para a família de Enás.

Aproxima-se rapidamente uma nave do planeta. Logo se vê que é a nave do conselho galáctico. Sai de lá um homem alto e forte, que vai imediatamente em direção de Enás.

-         O senhor é Enás?

-         Sim, sou eu.

-         O senhor e seu filho Jonatas estão presos

-         Mas por quê? Pergunta dissimuladamente Enás.

-         Uma denúncia foi feita.  E temos provas que o senhor foi o causador de todas essas mortes. Afirmou o representante do conselho galáctico.

Aquele que se tornou o melhor amigo de Enás, ao saber do plano de destruição dos membros de Famia, partiu imediatamente para a sede do Conselho Galáctico para dar parte de Enás.

A desgraça abateu-se. Enás foi condenado à prisão perpétua. O resto da família, como não tinha mais quem trouxesse o sustento, foi condenado à escravidão. Jonatas, por ter ajudado o pai, foi obrigado a tomar uma poção mágica, que o obrigava a nunca mais morrer e foi expulso daquele planeta.

Jonatas não aceitou esta pena. Tentou lutar. Pediu perdão, mas de nada adiantou. Seu destino era ser eterno e vagar pelo Universo eternamente. E assim foi. Andou pelo Universo a fora, não encontrando mais nenhum planeta habitado. Porém, ele sonhava com um mundo que todo poeta imagina. Era esse mundo que ele queria para sua família. Sabendo das fórmulas que seu pai usou no passado, resolveu usar também. Desta vez não para destruir, mas sim para criar.

Cansado de vagar como eremita, tentou encontrar uma fórmula para amenizar seu sofrimento e sua solidão. Pensou, então, em usar a inspiração de poeta que possuía, utilizando a realidade para concretizar um sonho. Se não foi possível realizar o sonho em Maktra, seria agora realizado  nos confins do Universo.

Usando todo o poder que possuía, invocou todas as forças do Universo. Uma explosão fantástica. Do nada se criou tudo. Foi feito um mundo no qual Jonatas sempre sonhara. Onde todos, apesar de diferentes, possuíam as mesmas posses e sobravam qualidades. O ler e escrever eram fundamentais. A paz reinava. A felicidade dos seres era notória. A justiça imperava.

À este mundo, Jonatas deu o nome de Terra. Ali viveu por toda a eternidade com sua criação e seu mundo de sonhos.

 

***

 

 

 

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