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Amar
Até Pode Dar Certo... Mas Dói!!!
É, quem disse, um dia, que amar dói,
disse a maior de todas as verdades.
Amar dói, machuca, e nos dá a sensação
de estar sempre faltando um pedaço.
Não adianta saber que dói, pois o
coração não segue os conselhos da
razão. Ele é burro, teimoso, adora se
meter em encrencas amar a pessoa
errada e nos fazer sofrer. De que
adianta amar tanto, se ao final disso
tudo sobrarão lágrimas e pesadelos?
Talvez seja melhor não amar.
Mas, como deter esse coração burro,
bobo e teimoso, se ele teima em
desobedecer as ordens da razão?
Ah, ingrato! Que faço contigo se não
segues as minhas diretrizes, te
apaixonas e me judias? Trancar-te-ei
num calabouço imaginário e não
poderás, em momento algum, sair de lá
pois não tens condições de andares à
solta, me colocas em fria sempre que
fazes isso.
É, certíssimo quem afirmou que “amar
dói”! Dói mesmo! Dói porque exige que
o vivamos intensamente de corpo e
alma. Exige que enxerguemos com os
olhos do coração e este coração é
míope, só vê o que lhe interessa. Dói
crescer, dói amar dói mais ainda
perder esse amor, descobrir que se
amou sozinha, sem fluxo de volta e sem
correspondência.
Amar pelos dois? Isso não existe! Amor
tem que ser bilateral, fluxo e
refluxo, ida e volta. Amar tem que ter
sabor de goiabada com queijo, Romeu e
Julieta (com final feliz, claro!).
Nada de descobrir que não amava, ou
que o amor era pouco e se acabou. Amar
tem que valer a pena, sempre!
Mas, amor não vale a pena só porque
acaba? Não! Não é esse o termômetro
que indica se valeu ou não a pena.
Mas, se foi um amor verdadeiro,
recíproco, imortal enquanto durou,
então valeu a pena!
Mas, se foi um amor em vão, enganado
iludido ah esse amor só trouxe dores,
como pode ter valido a pena? Mesmo que
tenha havido momentos “felizes”, são
momentos que a desilusão não conseguiu
compensar.
Esse não é o amor contado nos romances
exaltado pelos poetas, cantado pelos
intérpretes. O amor pra valer a pena
tem que ter sabor de “quero mais”. Até
quem ama sozinho pode valer a pena,
desde que ele saiba dessa condição,
como amou Platão. Mas, se houver má fé
no amor, não vale a pena! Amar não
suporta sentimentos negativos, ele
precisa de um “fermento” a mais.
Amar até pode dar certo, mas, precisa
de cuidados, de carinho, dedicação...
amar precisa de amor!!!
É amar dói, dói muito! Amar é um
parto, tão doloroso quanto! Amar é
parir um filho todos os dias. O amor,
quando acaba, é uma gestação
interrompida, um sentimento abortado.
Amar é como sentir saudade, dói,
porque nos faz sentir uma necessidade
constante e premente de sermos amados
e lembranças nos levam a querer sermos
lembrados.
Dói amar... dói crescer... dói sentir
saudade! Ah, dói! Amor exige atenção,
exige cuidados exige emoção, alegria,
precisa cultivar a cada dia. Ah, amar!
Acho que nós, seres humanos, ainda não
estamos preparados para vivermos um
grande amor. Não estamos predispostos
a rasgar o coração e nos entregarmos
por inteiro. Para viver um grande
amor, é preciso mais do que puro amor,
mais do que propriamente amor.
É preciso saber renunciar em nome
desse amor, vencer o egoísmo, a
individualidade, aceitar unir dois em
um. Estamos nós preparados pra isso? É
amar realmente dói, fere nosso Ego nos
torna grandes, mas pode causar danos.
Amar até pode dar certo... Mas dói!!!
09/08/2004 - 12:00 horas.
Akasha De Lioncourt
***
Erotismo e Sensualidade
Crime, Pecado ou Engorda???
"Quem nunca teve um pensamento
erótico, que atire a primeira pedra"
Quem acha que pode viver sem sentir um
toque de sensualidade e erotismo em
sua vida, não sabe realmente o que é
viver... não experimentou a vontade de
abraçar alguém, não rasgou o coração
numa paixão desenfreada, enfim,
permitiu que a vida passasse sem se
permitir viver intensamente.
Quando falo em erotismo e
sensualidade, não falo na banalização
do sexo, como temos presenciado e
vivenciado no nosso quotidiano. O que
vemos nas novelas e nos filmes, é a
comercialização do sexo, a apelação
que busca audiência, a banalização das
relações homem-mulher. Não, eu falo da
sedução que é praticada desde os
primórdios da humanidade, ou antes
dela, desde o surgimento do primeiro
ser vivo no planeta.
A prática da sedução é inerente a
todos os animais, e isso não é
novidade. Vemos o tempo todo, os
machos de todas as espécies procurando
atrair sua fêmea para o acasalamento.
Claro que sabemos também que o macho
mais sensual e mais atraente é quem
sempre leva o prêmio da conquista. E,
se funciona assim entre todas as
espécies, porque funcionaria diferente
entre nós, seres humanos?
Antigamente, os homens das cavernas
conquistavam suas mulheres com uma
pancada na cabeça, hoje eles as
conquistam com corpo sarado, ou então
um bom papo, mas, a arte da sedução
existe desde que o primeiro homem
colocou os olhos na primeira mulher...
e a desejou.
O erotismo e a sensualidade são
inerentes em todos nós... não podemos
confundir com pornografia, que é a
comercialização pura e simples de
sexo... quem se sente ofendido ao ler
um texto erótico, bem escrito, com
ilustrações artísticas, seja uma foto
ou um quadro, deve se preocupar com a
sua sexualidade que é reprimida, ou
então, assumir ser um falso moralista.
Erotismo não denigre a imagem de
ninguém, o que pode fazer com que isso
aconteça é a vulgarização do ‘verbo
erotizar’... ou, se preferir, do verbo
amar.
A arte da conquista está justamente na
dosagem entre o sensual e o vulgar, o
erótico e o pornográfico. Até os
casais precisam constantemente
exercitar a arte da sedução, e
conquistar, dia-a-dia, seu parceiro ou
parceira. Sexo não é tudo numa
relação, mas, certamente, um casal que
possui uma vida sensual e sexual
ativa, consegue conversar muito mais
sobre todo o quotidiano de suas vidas.
Falta erotismo no quotidiano dos
brasileiros, assim como em todos os
seres humanos... alguém já parou para
pensar nisso com seriedade?
Um casal que consegue vencer os tabus
sexuais herdados dos pais, avós, e
tantos outros que sempre pregaram que
sexo por amor é sujo, e que prazer é
incompatível com o ato da procriação,
certamente se conhecerá muito mais do
que quem viveu a vida inteira julgando
que deveres maritais eram apenas para
cumprir a máxima bíblica "crescei e
multiplicai e povoai a terra". Amar
não é pecado!! Cultivar esse amor com
doses de erotismo, sensualidade e
prazer muito menos!!! Pecado é algo
que o homem criou e desenvolveu no
tempo, moralização é algo muito mais
complexo do que discutir se o amor
entre duas pessoas deve ou não incluir
o item PRAZER!
Sentir vergonha de ver um corpo nu é
fruto da educação retrógrada que vêm
desde a Idade Média, quando o clero
quis moralizar a Igreja Católica,
impondo uma interpretação tendenciosa
dos ensinamentos bíblicos. Até o
celibato dos padres é fruto dessa
política doentia que inibe o amor em
todas as suas formas. A nudez não pode
ser considerada como algo pecaminoso,
mas, relacionada dentro de um
contexto. Quem julga a nudez por si só
deve ter sérios problemas para
olhar-se nu diante do espelho. Acaso
sentirá vergonha sob o chuveiro,
durante o banho? Sentir vergonha de
explorar o corpo que Deus nos deu é
renegar a si mesmo... quem não se
reconhece e não consegue ver o que vai
dentro de si mesmo, jamais poderá
conhecer outrem profundamente, ainda
que seja na sua sexualidade.
As convenções sobre erotismo, nudez e
sensualidade foram criadas pelo
próprio homem, no decorrer dos tempos,
mas, esqueceram que somos seres
naturalmente dotados dessas
características, nascemos assim. Essas
características vão ficando mais
potencializadas à medida que tomamos
conhecimento de quem somos, e do que
precisamos para nos sentir completos.
Amor e Sexo caminham de mãos dadas,
logo, necessitamos atrair para sermos
notados. Reprimir esse instinto
natural é um estupro emocional e suas
conseqüências são desastrosas... daí a
enorme quantidade de casais que passam
a vida juntos e não se conhecem, os
divórcios, e a prostituição que
aumenta a cada dia... sem falar nos
desvios comportamentais relacionados
com sexo, como pedofilia, que nos
causa náusea, mas tem origem
psiquiátrica e sabe Deus em que tipo
de repressão imposta desde a infância.
Causa asco? Sem dúvida que sim, mas,
não acontece por acaso. A repressão
sexual e a destruição da auto estima
de uma criança podem ter conseqüências
catastróficas. E, o mais interessante
é que os responsáveis por essa
repressão são sempre ilustres
representantes de uma sociedade
hipócrita, defensores da religião, dos
bons costumes, enfim, falsos
moralistas que, certamente, possuem a
imaginação tão pervertida e deturpada
que acham que todos possuem os mesmo
desvios.
Descobrir-se enquanto homem ou mulher
não é crime, o autoconhecimento deve
ser pleno, inclusive acerca de nossa
sexualidade, nossa capacidade de
sedução e nosso erotismo inerente. Não
se furtem a essa experiência, não
permitam que lhes imponham regras de
conduta socialmente aceitáveis, se
estas lhes violentam o direito de ser
felizes.
Não estou defendendo uma sociedade
semelhante a Sodoma e Gomorra, não
defendo a depravação e a degeneração
da sedução, mas, defendo o direito de
vivenciar o amor em sua forma mais
pura, através do toque, do carinho, da
comunhão do prazer, do ato que faz com
que duas pessoas se sintam uma só,
mas, sem culpas ou tabus para sufocar
esse momento sublime. Sensualidade e
romantismo são irmãos, necessitam um
do outro para existir.
Portanto, não tenham medo de ser quem
são, não permitam que idéias
pré-concebidas lhes roubem o prazer de
se descobrirem por inteiro.
Saber seduzir é, antes de tudo, uma
arte maravilhosa, e requer
conhecimento irrestrito mas, antes de
tudo, precisamos nos despir dos
preconceitos que somos obrigados a
digerir desde o ventre materno. Não se
sinta mundano por gostar do seu lado
erótico, certamente será mais feliz se
o explorar com sapiência e
naturalidade. Não se culpe por amar-se
sem medos. Jogue fora o preconceito e
seja feliz...
02/05/2006
Akasha De Lioncourt
***
idade do idoso
Há alguns meses eu estava viajando em
férias e uma coisa me chamou a
atenção: havia, em um determinado
restaurante um estacionamento e dele
tomava conta um senhor com cerca de
setenta anos de idade. Fiz questão de
fazer uma foto com o “jovem cuidador”
de veículos estacionados e mostrar meu
chapéu novinho em folha e meu sorriso
“colgate” para o clique sem flash da
minha máquina digital. E então
perguntei a ele porque ficava ali, sob
a chuva, cuidando de carros se nem
sempre ninguém ajudava com um real
sequer. E ele me disse que havia se
aposentado por tempo de serviço e não
encontrava mais nada para fazer. Isso
me fez pensar no desvalor que nossa
cultura ocidental tem com os chamados
idosos. Aqui, nossos velhos são fardos
tão pesados que costumamos transferir
a responsabilidade a terceiros para
que cuidem deles nos asilos e casas de
repouso. Aqui, um homem com mais de 40
anos é inapto para buscar um novo
emprego e sua experiência conta pontos
(negativos, claro!) nessa busca
incessante por trabalho digno que lhe
permita o sustento de sua família.
Aqui, um aposentado só serve para
jogar xadrez na praça com os amigos e
ser tratado como um inútil pelo resto
da família e nunca paramos para pensar
no potencial que eles possuem para
contribuir para o nosso crescimento,
seja pessoal, seja econômico, seja
humanitário. Também não paramos para
pensar nos nossos idosos na faixa dos
18 a 30 anos, talvez um pouco mais,
talvez um pouco menos mas infelizmente
os que mais preocupam. Esses idosos
desperdiçam sua existência com dramas
familiares, vícios diversos e,
principalmente, falta de amor. Falta
amor por si mesmo, falta amor pelo
próximo e por Deus acima de todas as
coisas. Eles também são idosos vítimas
do sistema pois não há mercado de
trabalho para quem nunca trabalhou na
vida e então nos sobra uma faixa
etária muito pequena de seres aptos a
construir um país inteiro com seu
trabalho e sua mão-de-obra
especializada. E se nossos idosos
ensinassem nossos pequenos idosos?
Talvez a experiência que falta para
uns sobre para os outros... Seria uma
boa saída para readaptarmos nossos
valores carcomidos pelo preconceito e
pela mania de digerir os enlatados dos
países de primeiro mundo?
Não sei... Não sou a dona da verdade
absoluta e jamais tentei ou tive a
pretensão de sê-lo, mas já passei pela
fase idosa número um e caminho para a
fase idosa número dois. Nesse
intervalo procuro absorver todo o
conhecimento que me for concedido e
pretendo utilizá-lo mais adiante,
quando ninguém mais quiser saber a
opinião de uma pobre poeta proseadora
cuja vida está se apagando... Só sei
de uma coisa: não quero passar por
esta vida em vão e muito menos ver a
minha e a sua geração ser dizimada
como se idade fosse uma doença
contagiosa letal. A idade não
incapacita, o preconceito sim. E viva
a diversidade!
10/10/2007 – 13:50 h
Akasha De Lioncourt
***
Prazer Solitário
(Erótico)
Ela chega em casa e de repente se dá
conta: está só... em plena sexta-feira
à noite, ela não tem qualquer
compromisso a não ser consigo mesma.
Nada de baladas, nada de encontros,
apenas a sóbria companhia do velho
livro de cabeceira, boa música... e o
silêncio.
Ela promete que vai tomar um banho de
espuma, ficar pelo menos uma hora
sentindo o aroma da água quente lhe
adentrando as entranhas. Está cansada,
exaurida, mas, acima de tudo... só.
Vai para o banheiro, abre a torneira e
deixa a água subir... coloca seus sais
prediletos, música suave, acende um
incenso... abre o champagne: vai
brindar a si mesma!
Deita sob a água e sente o calor
invadir-lhe a alma... a água
acaricia-lhe a pele, o perfume
inebria... ela relaxa, pega a taça e
bebe mais um pouco do champagne. Fecha
os olhos, e começa a sonhar.
Nesse sonho, mãos acariciam-lhe o
corpo, desnudam seu corpo e sua alma,
explorando cada milímetro da pele que
vai ficando arrepiada ao correr dos
dedos... sente o prazer aumentando a
cada toque macio que sua imaginação
lhe imprime ao corpo... abre os
olhos... nossa! Mais de uma hora
sonhando...
Começa a enxugar-se, a toalha macia,
movimentos vigorosos, como querendo
espantar os pensamentos... acordar o
corpo, tirando do devaneio que acabara
de viver.
Vai para o quarto, olha os lençóis
recém colocados na cama, macios,
cheirosos... não resiste...deita-se.
A vontade de permitir que os devaneios
aflorem novamente é mais forte, então,
ela se permite fingir que não está
só... e, de repente, seus dedos
percorrem seus lábios, descendo pelo
pescoço, acariciando sua pele. Sente
sua pele arrepiar-se, o corpo reagindo
aos toques... os mamilos começam a
intumescer, ela os acaricia com a
ponta do indicador, em movimentos
suaves, semelhantes à língua que
passeia em torno daquele biquinho
antes de iniciar as mordidelas que
precedem à sucção que causa frisson...
ah, como ela queria sentir aquela boca
sugando seus mamilos, sedenta,
faminta... sente que seu sexo fica
úmido, afasta um pouco as pernas para
permitir-se sentir o aroma do cio,
como querendo excitar ainda mais o
amante imaginário que se apossava do
seu corpo com fome de amar... e
consegue...
Aquela boca faminta, quente, começa a
deslizar por sua barriga, deixando um
rastro de fogo provocado por sua
língua que queima ao menor contato...
ela percorre o caminho mais curto até
encontrar a fonte de todo o desejo que
sente nesse momento...
Afasta mais as pernas e começa a
acariciar as coxas, beijinhos, língua,
descendo até a virilha... os gemidos
roucos vão ficando mais altos,
palavras desconexas são proferidas sem
que "ele" páre de seguir rumo ao
pequeno tufo de pelos aparadinhos que
escondem aquele clitóris intumescido
que implora para ser tocado, sugado,
mordiscado... ao primeiro toque, ela
geme alto, perde o controle e inicia
um movimento com os quadris como
querendo facilitar as carícias... ela
sente aquela língua percorrer seu sexo
de maneira como jamais sentira antes.
Clitóris inchado, percebe a lingua
passeando por entre seus lábios
vaginais...delira de prazer...
grita... percebe que está sendo
penetrada com a língua enquanto dedos
habilidosos massageiam seu clitóris
com maestria... sem resistir, derrama
sobre aquela língua imaginária seu
fluido corpóreo que é absorvido com
sofreguidão... São orgasmos
simultâneos, consecutivos, uma mistura
de gemidos e palavras sem qualquer
sentido, o corpo sendo sacudido como
se eletrocutado por 1200 volts de puro
tesão...
E então, ela sente seu corpo inteiro
relaxar... não sente as pernas tamanho
o relaxamento que experimenta... e
entrega-se a esse momento de prazer
solitário como um soldado que retorna
de uma dura batalha... adormece
sorrindo.
(07/08/2006)
Akasha De Lioncourt
***
Happy Hour de Prazer
(Erótico)
Helena chega em casa mais cedo naquela
sexta-feira de calor escaldante e o
que mais deseja é uma bela chuveirada
para recuperar as forças e revigorar
as energias. Impossível suportar o
calor que fazia e nem mesmo o ar
condicionado conseguia abrandar por
completo, fazendo seu corpo ansiar por
aquele jato de água que a esperava
ansiosamente. Entra no quarto e...
Surpresa! Encontra Miguel, seu
delicioso marido, adormecido
deliciosamente nu na cama do casal. A
toalha displicentemente jogava na
cama, de lado, não escondia nada
daquele corpo perfeito, bronzeado, que
não trazia marca da sunga... Seus
olhos passearam de cima abaixo e
faiscaram diante daquela visão
inebriante. Mas ela precisava de um
banho... Ah! Correu para o chuveiro
antes que mudasse de idéia.
Entrou na água e sentiu o choque
térmico provocar-lhe arrepios na
nuca... seu corpo estava tão quente
que poderia queimar quem a tocasse
naquele momento. Pensou se era apenas
o calor que a atormentava ou o desejo
de devorar lentamente o marido que
dormia inocentemente sobre a cama...
concluiu que eram ambos os motivos.
Deixou que a espuma macia do sabonete
líquido acariciasse seu corpo por
inteiro e depois, como toque final,
hidratou-se demoradamente antes de
enrolar-se na toalha e seguir para o
quarto.
Olhou novamente para Miguel, que
aparentemente desistira do happy hour
costumeiro das sextas feiras com
amigos e fora para casa, talvez pelo
mesmo motivo que ela própria havia
decidido sair mais cedo e ir pra casa.
Sentiu o cheiro agradável do perfume
que havia se espalhado pelo quarto e
sentou-se na espreguiçadeira ao lado
da cama, para ficar observando
confortavelmente o ressonar tranqüilo
que ele experimentava.
Inconscientemente, viu-se acariciando
a própria barriga. Seus dedos
deslizavam e então abriu a toalha e se
permitiu ficar nua como o maridão
estava. Ajeitou-se melhor, e passou a
tocar seu corpo com mais intimidade,
imaginando que era Miguel quem a
acariciava com mãos e língua... Ah,
aquela língua gostosa que a fazia
enlouquecer todas as noites.
Colocou o indicador na boca e molhou-o
em sua saliva, passando a acariciar os
mamilos logo depois. Era a língua de
Miguel a lhe percorrer a aréola do
seio com delicadeza e sensualidade...
A outra mão acariciava o outro seio e
começava já a descer pelo abdome
macio, em direção ao seu sexo
umedecido pelo desejo de fazer amor.
Não conseguiu conter o gemido quando
seus dedos lhe tocaram o sexo que
àquela altura estava molhado e
intumescido, tanto quanto os seios que
experimentavam as carícias da outra
mão de Helena. Os olhos fechados lhe
permitiam imaginar que era Miguel, seu
príncipe adormecido, quem lhe
proporcionava tamanho prazer e desejo.
De repente, percebe que não está mais
só na árdua e deliciosa tarefa de
explorar seu corpo faminto... Sente
uma língua quente tocar-lhe o clitóris
e massageá-lo com tesão e volúpia...
Abre os olhos e vê Miguel, já desperto
e cheio de desejo, apossando-se
daquele vulcão prestes a entrar em
erupção que era o corpo de Helena. As
mãos dele já lhe percorriam o corpo
todo, chegando aos seios, enquanto a
boca sugava todo o néctar doce e
generoso que a esposa lhe entregava
sem qualquer resistência. Os gemidos
altos faziam com que ele a sugasse
mais e mais, sem, contudo, permitir
que a esposa atingisse o orgasmo, esse
seria um momento para partilharem
juntos.
Sua língua começa a subir pelo abdome
de Helena, até alcançar os seios, que
ele suga com volúpia e tesão
extremados, enquanto o dedo massageava
a vulva e a mantinha molhada e pronta
para ser possuída. Beija a boca
molhada e entreaberta, sugando a
língua, mordiscando os lábios,
devorando como uma fera devassa
enlouquecida pela presa.
Helena arranha suas costas e o puxa
para si, num frenesi descontrolado,
explorando o corpo que suas mãos
conhecem tão bem e sabem exatamente
como excitar para proporcionar o maior
prazer possível. O contato dos corpos
causa uma explosão alquímica que magia
alguma poderia jamais explicar... E o
desejo de fundirem-se em um só corpo é
unânime entre os amantes insandecidos:
não são poucas as tentativas para
alcançar esse intento... A comunhão de
corpo e mente, sexo e tesão, desejo e
luxúria faz deles um só corpo, uma só
alma, buscando o objetivo comum que é
o clímax da relação.
E, como vasos comunicantes, sentem o
momento em que o orgasmo se torna
inevitável... Miguel olha para a
esposa cheio de desejo e inicia a
jornada maravilhosa de penetrá-la com
seu membro rijo, pulsando fortemente,
bem devagar. Ele quer sentir cada
milímetro do seu falo adentrando
aquela vulva apertada que lhe
comprimia e massageava deliciosamente
à medida que ia sendo preenchida com
maestria. Ele a penetra por inteiro e
começa a ondular dentro dela, devagar
a principio e depois acelerando para
proporcionar-lhe mais prazer a cada
estocada firme e consciente. Helena
geme alto e profere palavras
desconexas, implorando que ele não
pare e que ambos gozem juntos, o que
acontece logo depois, numa explosão
alucinante de gemidos, gritos e
estremecimentos involuntários que
sacodem os corpos de ambos sobre a
espreguiçadeira.
Sem sair de dentro dela, Miguel a toma
no colo e a leva para a cama, aonde,
abraçados, permite-se a entrega total
aos braços de Morfeu, num sono
reparador e preparatório para a noite
que perpetuaria aquele happy hour de
prazer. Mas essa é uma outra história.
(17/12/2006 – 10:00 h)
Akasha De Lioncourt
***
O Forasteiro na
Tempestade
Ela há muito esperava aquelas férias.
Guardou vários dias de folga e alugou
a tão sonhada cabana no alto de uma
montanha. Rústica, mas com todo o
conforto da modernidade. Os planos
para aquela primeira noite, sem TV e
sem companhia eram um bom banho de
banheira, um lanche gostoso, chocolate
quente e um bom livro próximo a
lareira. A previsão do tempo dizia que
ia chover e ela mal esperava para
ouvir os primeiros pingos da chuva
batendo no telhado de colmo. Aquele
cheirinho de chuva na terra molhada
era, no mínimo, afrodisíaco.
Levou as malas para o quarto, abriu-a
e separou seus sais de banho, incenso
aromático, uma lingerie confortável e
bonita e seu roupão predileto. O
aquecimento central garantiria que o
frio não a incomodaria por deixar as
pernas descobertas, mas, não abria mão
de um par de meias bem delicadas para
proteger os pezinhos pequenos e
delicados que detestavam ficar frios.
Abriu uma garrafa de vinho e colocou
no gelo... com uma taça na mão, tirou
toda a roupa e entrou naquela água
aconchegante e perfumada. Sentiu-se
como uma ninfa que se banha em algum
lago perdido no Olimpo... a sensação
era tão boa que chegou a quase
adormecer deitada na banheira. Ouviu,
então, os primeiros pingos de chuva
caindo e percebeu que eram grossos e
pesados... era uma tempestade se
aproximando.
Saiu da banheira, com a sensação de
ter sido massageada por um deus grego,
tamanha a sensação de relaxamento que
o banho lhe proporcionara. Ah, só em
pensar que deixara tudo para trás para
curtir suas férias sem qualquer
imprevisto, até deixara o celular
desligado e o telefone ninguém
tinha... queria paz, descanso e só
assim seria possível.
Foi para o quarto, enxugando-se
vigorosamente, a pele até um pouco
avermelhada apesar da maciez da
toalha. Hidratou a pele, do pescoço
aos pés com um creme suavemente
perfumado, sentindo a mão deslizando
por sua pele macia. Vestiu a calcinha
branca, que contrastava com o tom
moreno da sua pele e o soutien que
delineava seus seios. Entrou dentro do
roupão felpudo e aconchegante... era
tudo o que ela precisava naquele
momento: maciez e conforto.
Foi para a cozinha preparar algo para
comer. Já começava a sentir fome e um
lanche cairia muito bem naquele
momento. Nem olhou para o relógio.
Ali, as horas não interessavam. Fez um
lanche gostoso com pão integral,
fatias de carne previamente aquecidas,
queijo, muita salada e, na chaleira,
chocolate quente com rum, para
aquecer. Lá fora, a chuva caía
impiedosamente.
Ela já estava ajeitando a bandeja
sobre a mesinha da sala quando ouviu
baterem à sua porta. Pensou que estava
imaginando coisas... quem sairia com
aquela tempestade para vir bater ali,
no meio do nada? Ouviu nova batida e
resolveu atender. Com um tempo
daqueles não se deixa ninguém do lado
de fora e poderia ser alguma
emergência.
Quando atendeu, deparou-se com um dos
homens mais perfeitos que já
encontrara em toda a sua vida. Ele
parecia um deus mitológico, um Adônis
moderno, um Apolo... moreno, alto,
olhos negros com uma expressão
indecifrável, pele bronzeada, que
indicava que ele não vivia por ali e,
portanto, devia estar em férias, como
ela; a boca mais linda que ela já vira
e logo sentiu uma imensa vontade de
beijá-la sem parar.
Ele logo se desculpou por incomodá-la
tão tarde e com tanta chuva, mas, seu
carro parara ali perto e não
conseguira fazê-lo funcionar. Será que
ele poderia esperar por ali até que a
chuva passasse e ele pudesse verificar
o que acontecia no veículo?
Ela responde que sim, convida-o a
entrar e lhe oferece algo para beber,
bem quente... ele estava completamente
encharcado e a água estava gelada.
Fala para ele tirar a roupa molhada
enquanto ela lhe emprestaria um roupão
quente e seco. Vai até o quarto e pega
aquele roupão largo e gostoso que ela
amava para tentar resolver o problema
das roupas do forasteiro. Quando
retorna para a sala, ele está apenas
vestindo a calça e a camisa, que, por
estar encharcada, marca e delineia o
peito forte e másculo. Ela lhe entrega
o roupão e indica o lavabo, aonde ele
poderia trocar-se.
Enquanto isso, vai até a cozinha
preparar um outro lanche e pegar outra
caneca para dividir o chocolate
quente. Iria ajudá-lo a aquecer-se e
dar uma sensação de conforto pela
friagem recebida sob a chuva.
Ele sorri, grato, diante de tanta
hospitalidade e senta-se junto a ela
para comer. Conta que vive montanha
acima durante dois meses do ano, é
quando quer ficar em paz e relaxar de
toda a correria do dia a dia. Elogia o
lanche nutritivo e gostoso e o
chocolate quente tão saboroso como
jamais havia tomado.
Seus olhos, negros e brilhantes,
brincam com ela, assim como a boca que
lhe sorri... um sorriso lindo, claro,
radiante. Pergunta se ela está
gostando da cabana e diz que os donos
são seus velhos conhecidos. Ela
responde que está amando o toque
moderno que os proprietários deram à
rústica cabana , pois souberam
combinar conforto sem quebrar o
encanto daquele pedacinho de céu no
meio da montanha. Foi amor à primeira
vista.
Ela se levanta para levar a bandeja
para a cozinha, e a caneca, vazia,
escapa de suas mãos... a tentativa de
resgatar a caneca antes de quebrar-se
faz com que ambos, ato reflexo,
abaixem-se rapidamente, mas ele é mais
rápido. Seus olhos se cruzam pela
primeira vez, e ele não desvia o
olhar, fitando-a longamente.
Hipnotizada por aquele olhar, ela não
consegue desviar-se, e sente que o
inevitável vai acontecer.
Ele inclina o corpo em direção a ela e
seus lábios se tocam pela primeira
vez. Primeiro, gentil, explorando os
lábios carnudos dela, depois, um pouco
mais exigente, como se estivesse
sedento daquela boca por toda a sua
vida. Beija-a longamente, e a toma nos
braços, levando-a para o tapete
felpudo que está nas proximidades da
lareira. Deita-a, sem parar de
beijá-la, e se aconchega ao seu lado
puxando-a para si, como se desejasse
fundir seus corpos em apenas um.
Em determinado momento, afasta seu
rosto e olha para ela, que está com os
olhos brilhantes, lábios
tentadoramente inchados pelos beijos
longos, pele rosada, e um sorriso de
satisfação que parecia o de uma
criança saciada de doce. Volta a
beijá-la, sem tanto furor, abrindo
seus lábios delicadamente e invadindo
sua boca com a língua, buscando a
dela, enroscando-se deliciosamente,
enquanto a mão afrouxava o laço do
roupão, libertando a fragrância quente
e gostosa que emanava daquele corpo
macio.
Sentiu a pele dela arrepiando-se ao
toque de suas mãos... passeou com os
dedos pelos contornos do soutien, até
encontrar o fecho, que fica na parte
da frente. Abre-o, libertando os seios
e começa a acariciá-los com a mão.
Ouve os gemidos dela, mas não liberta
sua boca... ao contrário, beija-a mais
e mais, enquanto sua mão desce pelo
abdome macio, até encontrar a
calcinha. Toca-a, por sobre o tecido.
Sente que ela está quente e
provavelmente úmida. Afasta suas
pernas delicadamente e acaricia-a,
ainda sem tirar a calcinha, permitindo
que ela fique ainda mais úmida e cheia
de desejo. Sufoca seus gemidos com
beijos calientes e exigentes, mas não
deixa de acariciar cada milímetro
daquela pele macia e cheirosa, que o
deixou insano desde o primeiro momento
em que colocou os olhos nela.
Adentrou aquele pequeno pedaço de
tecido, ela estremeceu da cabeça aos
pés ao sentir o toque dos dedos em seu
sexo... gritou... um grito sufocado
pelos beijos deliciosos que só aquela
boca saberia lhe dar. Lágrimas rompem
em seus olhos, tamanho desejo desperto
por aquele homem que surgiu no meio da
tempestade. Ele lhe acaricia o
clitóris, massageia, percorre seu sexo
com a mão, enquanto ela, convulsa de
tanto tesão, desejo, geme, chora e
pede para que ele a possua.
Mas ele quer mais... desce com a boca
até seus seios, acaricia os mamilos
com a língua, mordisca-os
delicadamente e, ato contínuo, suga-os
como um bebê faminto, arrancando
gemidos e frases sussurradas que não
fazem qualquer sentido. Sua boca
desliza pela pele macia e cheirosa até
chegar à calcinha,que ele tira,
delicadamente, com a boca... depois,
retorna beijando-a desde os pés,
acariciando-a com a língua, enquanto
se acomoda entre suas coxas, e começa
a beija-las, passando a língua molhada
e descendo até a virilha... ela geme,
morde os lábios, afoga os gritos, até
que sente que ele está sugando seu
clitóris e levando-a ao delírio... o
grito, tantas vezes contido,
escapa-lhe dos lábios e o corpo todo
estremece, convulso, tamanho o prazer
que aquela boca fantástica lhe
proporcionou. Jamais ela imaginara que
fosse encontrar alguém como ele, que
lhe proporcionasse o máximo de prazer,
desejo, tesão e cuja química fosse tão
perfeita... seu corpo pede mais, mais,
e ela geme, pedindo... quer senti-lo
dentro dela, quer ser possuída por
esse homem antes que ela descubra que
tudo não passou de um sonho. Ele,
entre suas pernas, deliciando-se no
néctar que escorre por suas entranhas,
orgasmos múltiplos e aquele fluido
alimentando-o do desejo que sente por
ela.
Depois de bebê-la intensamente, ele
volta a beija-la, cobrindo seu corpo
com o dele... o roçar dos corpos,
deixando-a mais e mais excitada, até
que ele a toma para si, penetrando-a
profundamente... seus corpos em
movimentos sinuosos, uma dança
deliciosa em que o objetivo principal
é atingir o ápice do prazer...
Ela nunca teve alguém tão pleno dentro
de si, tão absoluto e seguro de si e
do encanto que sabe provocar...
entrega-se a ele por inteiro, permite
que ele lhe explore o mais íntimo de
si, e, quando menos espera, sente o
gozo aflorando, seu corpo estremece,
ela o abraça e puxa mais ainda para
si... é quando ambos explodem num gozo
convulso, gemidos e gritos abafados
por beijos avassaladores, ambos se
fundindo em um único ser... pleno e
saciado.
Ficam assim, agarradinhos, ouvindo a
chuva que ainda cai do lado de fora...
agora mansa, como que acompanhando o
ritmo dos amantes, que, extasiados,
repousam, satisfeitos...
No dia seguinte, ele se vai, mas a
promessa é voltar logo, para que,
juntos, possam curtir todos os
momentos que conseguiram partilhar,
graças a uma tempestade e a um carro
enguiçado. E ela pensou que iria
passar sua primeira noite de férias
sozinha!!!
(08/08/2006)
Akasha De Lioncourt
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