DIA NACIONAL DO MAR EM PORTUGAL

16 de novembro de 2007

 

Trabalho e pesquisa de Mercêdes Pordeus

 

“No próximo dia 16 de Novembro celebra-se em Portugal o Dia Nacional do Mar. Neste dia, em 1994, entrou em vigor a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) que estabeleceu um novo quadro jurídico para o direito do mar. Ao ratificar a CNUDM, a 14 de Outubro de 1997, Portugal assumiu responsabilidades numa das áreas marítimas mais extensas da Europa, e a maior da União Europeia, com uma dimensão 18 vezes superior ao território nacional.

Em 1998, o dia 16 de Novembro foi institucionalizado pela Resolução de Conselho de Ministros n.º 83/1998, de 10 de Julho, como o Dia Nacional do Mar e, desde então, tem vindo a ser evocado através de uma série de eventos e iniciativas. Em 2006 as comemorações do Dia Nacional do Mar são subordinadas ao tema “O Mar e o desenvolvimento sustentável”.

A comemoração deste dia engloba um vasto conjunto de iniciativas de âmbito nacional, regional e local, que incluem diversas actividades de natureza cultural, desportiva, cientifica, etc. Estas actividades envolvem vários ministérios e outras entidades públicas e privadas ligadas ao mar”.

 

 

Transcrição de Discurso( para que tenhamos uma noção do que significa o Dia Nacional do  Mar em Portugal)

 

http://www.portugal.gov.pt/Portal/Print.aspx?guid=%7BA2A53580-785D-4AA2-AF33-AFDA962A65B9%7D

 

Sessão evocativa do Dia Mundial do Mar

Intervenção da Secretária de Estado dos Transportes na sessão evocativa do Dia Mundial do Mar 2005, no âmbito das comemorações promovidas pela Organização Marítima Internacional

 

(Só faz fé a versão efectivamente proferida)

 

Exmos. Senhores Representantes das Organizações de Trabalhadores e das Associações de Armadores,

Exmos. Senhores Membros da Comunidade Marítima-Portuária

Exmo. Senhor Presidente do Instituto Portuário e do Transporte Marítimo,

Exmos. Senhores Presidentes das Administrações Portuárias,

Demais Autoridades Civis e Militares,

Minhas Senhoras e meus Senhores,

 

Constitui para o Governo, e para mim em particular, um grande prazer associarmo-nos aos principais representantes das comunidades marítima e portuária nacionais para assinalarmos e celebrarmos o Dia Mundial do Mar.

 

Com a iniciativa de celebração do Dia Mundial do Mar, a Organização Marítima Internacional (OMI) lança, todos os anos, um desafio aos governos, às organizações, à indústria marítima e aos sindicatos para, em conjunto, reflectirem sobre um tema de actualidade relativo à actividade do transporte marítimo a nível mundial.

 

Para Portugal, pioneiro no processo de construção técnica de navios e na arte de navegar, a comemoração do Dia Mundial do Mar assume uma especial relevância.

 

O tema proposto pela OMI para a celebração do Dia Mundial do Mar em 2005 – Transporte Marítimo Internacional, Suporte do Comércio Mundial - pretende, como referiu o Senhor Secretário-geral dessa Organização, «...chamar a atenção para o papel vital que a navegação desempenha para o comércio internacional e para a economia mundial, por ser o método mais eficaz, seguro e amigo do ambiente, de transportar mercadorias em todo o mundo...»

 

Julgo que todos vós me acompanham no reconhecimento de que o tema proposto para as comemorações do presente ano assume particular importância para Portugal no seu contexto actual e no papel que pretende assumir no futuro.

 

Falar da importância do «shipping» para o desenvolvimento do comércio mundial traduz-se não só no reconhecimento do papel essencial que o transporte marítimo tem desempenhado no processo da globalização das economias a nível mundial mas, também, na confirmação das excepcionais potencialidades que o «shipping» proporciona ao desenvolvimento económico das nações.

 

Para dar resposta ao desafio lançado este ano pela OMI, iremos promover, em Novembro próximo, a realização de uma Conferência Internacional, no quadro das comemorações que estão a ser promovidas conjuntamente com o Ministério da Defesa Nacional, através do Senhor Secretário de Estado da Defesa e dos Assuntos do Mar.

 

A realização desta Conferência Internacional constituirá assim uma oportunidade para trazer a Portugal representantes das principais Organizações internacionais, bem como para promover a participação de Estados representativos do «shipping» mundial, que connosco se propõem debater os principias desafios que se colocam ao desenvolvimento das actividades marítimas e portuárias.

 

Minhas Senhoras e meus Senhores,

 

Falar no Dia Mundial do Mar constitui, igualmente, oportunidade para, enquanto responsável pela tutela do sector marítimo e portuário, reafirmar o nosso firme empenho na redinamização da Marinha de Comércio, tal como referimos no Programa do Governo.

 

No Plano dos apoios à actividade sectorial gostaria de vos informar que assinei os Despachos de aplicação do PIDDAC referentes à concessão de apoios financeiros aos Armadores, através do auxílio estruturante à actividade dos navios em regime convencional, à compensação aos investimentos de carácter inovador e tecnológico e ainda os apoios relativos ao embarque de praticantes e à formação sectorial.

 

No entanto, é nosso propósito prepararmos uma nova moldura de referência, enquadrando os objectivos e condições de apoio do Estado à marinha mercante nacional. Esse novo quadro terá em atenção as linhas de orientação definidas a nível comunitário, atendendo à situação de especial debilidade em que a nossa marinha de comércio se encontra.

 

Gostaria, ainda, de salientar a nossa firme vontade de dedicar esforços consideráveis à valorização dos trabalhadores deste sector - independentemente do seu enquadramento ou estatuto - proporcionando-lhes a formação necessária para enfrentar os desafios que se seguirão, com conhecimento, saber-fazer e confiança.

 

Nesse contexto, a Escola Náutica Infante D. Henrique terá obrigatoriamente de melhorar e adequar a sua capacidade de resposta, face à globalização e internacionalização do mercado, tornando-se uma escola de excelência, quer a nível nacional, quer internacional.

 

Nesse sentido, e tendo em conta o desiderato de reestruturação do ensino náutico em Portugal, afirmado no Programa do Governo, encontramo-nos a analisar outras experiências internacionais, para, numa análise de benchmarking, identificar as melhores práticas para essa reestruturação.

 

Haverá ainda que equacionar as necessidades das empresas armadoras e de todas as actividades de serviços marítimos e portuários, viabilizando novas ofertas de formação profissional para os trabalhadores daquelas entidades.

 

A especialização na formação, bem como as questões relacionadas com a organização da oferta e o financiamento de acções desenvolvidas neste contexto colocam, de forma premente, a questão da certificação dos formadores, da aceitação dos cursos, do reconhecimento da aptidão dos formandos, exigindo, ainda, o reforço na fiscalização das actividades desenvolvidas.

 

No plano legislativo, tendo presente os compromissos internacionais assumidos pelo Estado português e num claro reforço das normas de segurança aplicáveis aos navios, bens e pessoas embarcadas, bem como de protecção do meio ambiente, está a ser feito o trabalho de transposição para o direito interno de Directivas comunitárias, de Convenções Internacionais e de outros instrumentos da OMI, permitindo assim actualizar o quadro de responsabilidades do País perante aquelas Organizações.

 

No contexto do reforço da segurança marítima, o Governo está a implementar o Sistema de Controlo de Tráfego Marítimo (VTS), o qual tem como principal objectivo a monitorização da actividade marítima nas águas ao longo da costa continental portuguesa e a entrada e saída de navios dos portos portugueses.

 

Para finalizar, gostaria ainda de fazer uma referência ao trabalho que vem sendo desenvolvido no sentido de reforçar a cadeia logística em que necessariamente se insere o Transporte Marítimo. Neste sentido, têm vindo, por um lado, a ser planeadas plataformas logísticas de proximidade aos Portos, bem como em localizações que permitam aumentar os seus hinterlands e dar-lhes uma dimensão ibérica. Por outro lado, complementarmente, foram decididos investimentos que proporcionarão no futuro melhores acessibilidades rodo e ferroviárias aos Portos.

 

Minhas Senhoras e meus Senhores,

 

Estou certa que, com o contributo de todos Vós, saberemos construir um sector dinâmico e competitivo, capaz de responder aos desafios colocados ao transporte e actividades marítimas e portuárias, elos fundamentais de um mundo globalizado.

 

Foi com enorme prazer que presidi a esta cerimónia do Dia Mundial do Mar, 2005.

 

 ***

 

 

“PRESERVAR É PRECISO”.

 

Que possamos ser cada um uma gota de água nos cinco oceanos e possamos fazer assim alguma diferença.

Vamos mergulhar nas águas límpidas com o compromisso de sairmos delas deixando-as como encontramos? E, se as encontrarmos poluídas, tentarmos deixá-las limpas?

Convido-os a esse maravilhoso mergulho...

 

“E disse Deus: haja uma expansão no meio das águas e haja separação entre águas e águas”.

E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão das águas e as águas  que estavam sobre a expansão. E assim foi.

E chamou Deus à expansão céus e foi a tarde, a manhã do dia segundo.”

Gênesis 1:6 a 8.

 

Vamos falar em mar, o mar que Portugal e todo português conhece tão bem.

O mar faz parte da vida do povo português e sua história, é uma ligação tão intrínseca que quando se fala em Portugal vem à nossa lembrança a navegação, os descobrimentos, as caravelas, velas e bandeiras, Infante D. Henrique. Marinha Portuguesa.

É uma relação muito rica!

O mar que canta e encanta pessoas, que inspira poetas, que encanta marinheiros...

É esse o mar português! Que levou portugueses a descobrirem vário mundos.

 

 ***

 

O MAR DOS POETAS

 

MAR PORTUGUÊS

Fernando Pessoa

 

Ó mar salgado, quanto do teu sal 
São lágrimas de Portugal! 
Por te cruzarmos, quantas mães choraram, 
Quantos filhos em vão rezaram! 
Quantas noivas ficaram por casar 
Para que fosses nosso, ó mar!

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena 
Se a alma não é pequena. 
Quem quer passar além do Bojador 
Tem que passar além da dor. 
Deus ao mar o perigo e o abismo deu, 
Mas nele é que espelhou o céu.

 

 ***

 

O INFANTE

Fernando Pessoa

 

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. 
Deus quis que a terra fosse toda uma, 
Que o mar unisse, já não separasse. 
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma, 

 

E a orla branca foi de ilha em continente, 
Clareou, correndo, até ao fim do mundo, 
E viu-se a terra inteira, de repente, 
Surgir, redonda, do azul profundo.

 

Quem te sagrou criou-te portuguez.. 
Do mar e nós em ti nos deu sinal. 
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. 
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

 

 ***

 

O MAR DOS ENAMORADOS

Mar que inspira os enamorados a buscarem a maravilha de contemplar o horizonte e aí trocarem juras de amor.

 

AMOR ENTRE AS MARGENS DO ATLÂNTICO

Mercêdes Pordeus

Recife/Brasil

 

Separando a Europa e a África, das Américas.

O Oceano Atlântico assume a forma de “S’”

A princípio, talvez para significar a SAUDADE.

Uma saudade sentida, ainda que no plano virtual.

Promoveu um encontro de dois seres em espírito.

 

Navegando por suas águas, éramos dois navios.

Na busca transoceânica de interligar dois povos

Povos que aos poucos se tornariam mais que irmãos

A travessia do Atlântico, já lhes era imprescindível.

Ultrapassar a distância era resultado dessa intenção.

 

No intento da força do amor, buscavam a união.

No horizonte, tanto da margem esquerda como direita.

Havia a sintonia e o desejo recíproco do encontro

E nas águas serenas vistas num belo contraste

A mistura das cores formando linda nuance.

 

Juntos, vencemos a dor da espera e da saudade.

Como a confirmação de um carinho muito especial

E de um amor já tantas vezes por nós declarado

Hoje ainda contemplamos as águas do grande mar

Com harmonia daquelas águas que nos separavam.

 

Certeza... Estivéssemos às margens do Atlântico

Oceanos Pacifico, Indico, Glacial Ártico ou Antártico

O nosso encontro ultramar seria coroado com amor

Independente do local onde nos encontrássemos

Nós seríamos e somos: dois povos e só destino.

 

 ***

 

O MAR DOS MARINHEIROS

 

Em maio de 2000 o Navio Republicano Português esteve aqui em Recife para refazer a rota de Cabral quando do Descobrimento do Brasil.                                          

Depois de sete anos volta o NRP SAGRES a aportar em Recife em 25 de julho de 2007 partindo no domingo, 30 de julho.

Esta visita fez parte  de um conjunto de eventos  preparados pela Embaixada de Portugal no Brasil para assinalar  a Presidência Portuguesa da União Européia, a decorrer até o final de 2007.  (Portugal Digital - Brasil/Portugal)

Admiro a persistência da tripulação do Navio Republicano Português de Sagres, meses e meses desbravando mares e sempre com a mesma firmeza e simpatia  ao receber os seus visitantes.

Parabéns a Marinha Portuguesa!!!

 

 ***

 

REFAZENDO A ROTA DE CABRAL

Mercêdes  Pordeus
Recife/Brasil

Era uma manhã de treze de maio do ano de  dois mil
Ao longe, via-se uma fragata de bandeira portuguesa,
Trazia içadas dez velas redondas com a Cruz de Cristo
E quatorze velas latinas, eram as de formato triangular.

E o Navio Republicano Português aportara no Recife
Corre notícia alvissareira, todos querem conhecê-lo.
Ele veio para cumprir a rota feita por Álvares Cabral
Comemorando quinhentos anos, descoberto do Brasil.

Os recifenses receberam-no com grande alegria
Permaneceu na capital pernambucana alguns dias
Ali, foram abertas as portas com muita simpatia
Milhares de visitantes que ao seu interior viriam.

Ele trazia em seu interior seis barris de vinho
O vinho Moscatel de Setúbal, o Torna-Viagem,
No século XIX, viajava nos porões dos veleiros
Para comercializar e os que não eram negociados,

Voltavam para Portugal, melhorados pelo clima,
Pelas mudanças climáticas que sofriam na viagem
Desta vez, vieram apenas para manter aquela tradição
Esses barris foram reservados mesmo para esta viagem.

Passados, aproximadamente cinco dias no Recife
E numa manhã de domingo, sob olhares saudosos
Içadas suas velas, o navio de Sagres se distanciava
Assim,deixava a cidade, rumando ao Rio de Janeiro.

Passados quarenta e quatro dias no Oceano Atlântico
Aporta no Rio de Janeiro, o Navio - Escola " SAGRES".

Retrospectiva:
Oito de fevereiro, mil novecentos e sessenta e dois
Esta fragata passou a integrar a Marinha Portuguesa
Numa cerimônia que foi realizada no Rio de Janeiro
Saiu do Brasil a vinte e cinco de abril do mesmo ano
Chegando em Lisboa na data de vinte e três de junho.

 

 ***

 

SÍMBOLOS DO NAVIO: http://www.marinha.pt/sagres/

 

O INFANTE D.HENRIQUE

 Figura de proa do navio

 

O CABO DE SAGRES

 situado na extremidade sudoeste de Portugal

 

A CRUZ DE CRISTO  

 usada pela primeira vez nas velas dos navios da armada de Pedro Álvares  Cabral, Cruz vermelha de hastes simétricas vazadas ao centro era o símbolo da Ordem Militar de Cristo, fundada por D. Dinis em 1317 na sequência da extinção  da Ordem dos Templários.

 

O  BRASÃO DAS ARMAS :

 

A Cruz de Cristo (vermelho) foi utilizada nas velas (branco) dos navios portugueses a partir do século XV. Era o símbolo da Ordem Militar de Cristo, da qual o Infante D. Henrique foi “regedor e  governador”, desde 1420. Este facto constituiu um importante suporte económico e tornou possível o início da Expansão e dos Descobrimentos Portugueses.

      O ramo de carrasqueira (ouro) era o símbolo pessoal do Infante e exprime a tenacidade, a rusticidade e o desapego pelos bens materiais e honras fáceis.

        O astrolábio náutico (ouro), embora ainda não utilizado durante a vida do Infante, representa a ciência e a instrução da arte de navegar que permitiu aos pilotos portugueses demandarem novos portos, novos continentes e novas ilhas.

         O fundo azul, onde se encontram inscritos os motivos a ouro acima referidos, representa o “mar oceano” que, legado de Portugal, une e deixou de separar.

 

 ***

 

Para encerrar uma homenagem a nosso querido Atlântico:

 

OCEANO ATLÂNTICO

Mercêdes Pordeus

Recife/Brasil

 

Separas os países, os continentes,

Beijas livremente margens a fora,

Águas límpidas, belos contrastes.

E que segredos, meu maroto Atlântico!

 

De um belíssimo fascínio, é possuidor.

Em separando, unes também os povos,

Fisicamente os separas e une-os em espírito

Grande a capacidade de unificar seus destinos.

 

Contemplando o horizonte eu vejo

Das tuas águas o faceiro balanço

Tão tranqüilo, que nem te apercebes.

Quão tamanha é a tua importância.

 

És o segundo do mundo em superfície

Nem se quer te importas, tua simplicidade.

Só queres mesmo unir os povos, as nações.

Transformar os povos irmãos em destino.

 

Os ventos alísios sopram indo e vindo.

Provocando em ti as correntes marinhas

Gerando, então, as correntes circulares.

Eis meu querido Grande Mar, a tua primazia.

 

Há séculos são constantes as buscas

Da travessia, quer por água ou pelo ar.

Desde as caravelas vindas de Portugal

Conquistado pelo ar, argonautas ousados.

 

Vindos também do irmão Portugal

O Gago Coutinho e Sacadura Cabral

Primeira travessia do Atlântico Sul

Decolaram do Tejo, pilotos intrépidos.

 

Assim foste escrevendo tua história

O transatlântico de luxo, Graf Zepelim

Partia da Alemanha para o Brasil

Aí, Recife tem a sua importância.

 

Ainda conserva a Torre do Jiquiá

Hoje a única que no mundo restou

E que com seus dezenove metros

Abastecia o grande “peixe prateado”

 

E continuas a mover-te em teu leito

Leito onde descansas ora sim, ora não.

Oceanos Atlântico Sul e Atlântico Norte

Desenhando assim, uma linda ponte.

 

Embalas tuas águas como querendo

A alguém encantar, esse é teu desejo.

Atlântico Sul, oh! Meu Atlântico Sul

Preserva nas águas a condição azul.

 

 

http://ecosdapoesia.net/crestomatia/agua.html

 

 

ÉTICA E GESTÃO DAS ÁGUAS

Prof. Dr. Leonardo Boff

 

Reflexões Preliminares

 

Somente uma visa sistêmica e holística faz justiça ao complexo tema da água.

 

Água e equilíbrio da terra

 A água pertence ao equilíbrio global do sistema-Terra já que grande parte da Terra é composta de água. A água contém em proporção dupla o elemento primordial, o primeiro a ser sintetizado após o big bang, o hidrogênio que junto com o hélio enche os espaços infinitos do universo. As águas dos rios, lagos e oceanos e as subterrâneas são em grande parte responsáveis pela harmonização da Terra com o sistema solar global. É o que se chama de “ressonância Schumann”. A terra toda vibra com a mesma freqüência das ondas eletromagnéticas do nosso cérebro (7,8 hertz ou ciclos por segundo). Essas ondas que são uma espécie de respiração e marca-passo da terra se formam a partir do conjunto de materiais da terra, em seu interior o magma, as águas e o sistema solar. E essa onda se forma entre a terra e a camada inferior da ionosfera. O desequilíbrio ecológico das últimas camadas elevou a pulsação a 11 ciclos por segundo o que vem provocando distúrbios ambientais em todo o Planeta. O desequilíbrio com referenciais às águas é um dos componentes de desequilíbrio da Terra.

 

Água e a crise da sustentabilidade

Hoje a água comparece como um dos elementos mais escassos da natureza. Dos 97% de água do Planeta, somente 3% é potável. E desses somente 0,7% é acessível ao uso humano. Devido à depredação ecológica pelo processo industrialista, pela superpopulação e urbanização mundial, pelo desperdício e pela falta generalizada de cuidado instalou-se grave crise de sustentabilidade para as vidas humanas e demais organismos vivos.

 

 

SOM: Roberto Leal e Adelaide Ferreira - Nau de Paz - Casino Estoril - 2004

 
 

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