COMEMORAÇÃO DE 60 ANOS DA ASSINATURA DA CARTA DOS DIREITOS DO HOMEM na ONU.

 

Artigo de Rosa DeSouza

 

 

Comemoramos no dia 10 de dezembro, o dia em que A Declaração dos Direitos do Homem foi assinada.  Muita coisa se conseguiu em 60 anos, mas a paz ainda não foi conquistada, embora continue sendo o que todos mais ambicionam. Me pergunto, qual é a raiz de tanto sofrimento? Qual a razão que provoca tamanha insatisfação que o ser humano compensa com ambição? Qual será a força por trás de tanta violência? A única resposta que me ocorre é a necessidade de reciclar a nossa cultura. Para isso, teremos de rebuscar nos escombros da História o que ainda continua envenenando o presente e que dramaticamente ameaça o futuro.

Porém, de nada nos serve conhecer o passado, senão para entender o presente e encontrar soluções que melhorem a nossa condição, tornando-nos capazes de criar um futuro melhor.

A raiz de todo o problema humano é sem dúvida a grande diferença entre homem e mulher, o que os divide, humilha e confunde.

O mundo ocidental já conseguiu muitas vitórias, algumas delas bem difíceis,  como foi a primeira fase do feminismo onde a mulher tendia a copiar o homem em lugar de fazer prevalecer as suas próprias características. Essa jornada tem muitas etapas onde todos teremos de sair vitoriosos, tanto a mulher como o homem.

Devido ao mundo de hoje ser globalizado, sabemos que aquilo que acontece num país afeta todos os outros. Sendo assim, não podemos esquecer que a maior parte das mulheres que habitam este planeta vivem sob condições inumanas, onde muitas ainda sofrem as maiores injustiças e humilhações. Embora não disso não tenhamos consciência, todos somos afetados por tal ignomínia. Contudo, o pior não é a condição em que a mulher se encontra, mas a sua aceitação e submissão às regras de um jogo que pensa ser desígnios ou castigos divinos.

Fomos ensinados a sentir culpa do que somos, a ter vergonha de ser humanos, como o absurdo de já termos nascido com pecado e com uma índole tão perversa que só o perdão dos deuses pode nos salvar do castigo eterno. Como hoje todos sabemos o poder da portentosa força da mente, torna-se fácil entender as terríveis consequências que tal absurdo provocou na psique humana.

Poderemos nós modificar o curso da História?  

 

Na minha infância, quando acordava sempre lia o que estava escrito em dois quadrinhos do lado norte do meu quarto:

 

Um dizia:    A melhor forma de ensinar é dar exemplo

E o outro:   Não há impossíveis

 

É evidente que a mulher está passando por um processo, apenas comparável a um nascimento. A história falará dos séculos XX e XXI como o Renascimento do Princípio Feminino, tanto na mulher como no homem. O renascimento da anima/animus em cada um de nós.

O homem não reprimiu apenas a mulher, mas também a força criativa do princípio feminino dentro de si mesmo. Isto é uma coisa de que poucos falam, embora seja de extrema importância.

 

Será também registrado que esta época representa o princípio do desenvolvimento individual, onde cada um descobre quem é, passando a substituir crenças, hábitos e modismos de pensamento, pelo verdadeiro uso da inteligência, em lugar de cegamente seguir dogmas que apenas aumentam o sofrimento humano. Razão porque só usamos uma pequena percentagem do cérebro.

Se olhassemos o mundo de fora diriamos que Gaia é o planeta do medo, da mentira e da irresponsabilidade. Se fossemos um extra terrestre que visitasse o nosso planeta, iriamos contar a nossos irmãos planetários que a Terra é populada por seres que vivem um terrível pesadelo, e tudo criado por nós mesmos e pela ignorância de não saber quem somos. Alguns até diriam que por baixo de tanto absurdo a alma humana deveria ser algo muito grandioso e forte, visto apesar de tanta violência, ignorância e falta de consciência, tinhamos sido capazes de criar coisas magníficas, como a nossa música, a nossa arte e o desenvolvimento da capacidade de amar. Mas quando esses seres investigassem as nossas crenças, perguntar-se-iam que energia ou dinamismo poderia ter uma civilização que adora deuses mortos e torturados, pregados em cruzes, sempre se sentindo culpados por essa morte, enquanto outros deuses passavam a eternidade sentados em tronos de ouro, ouvindo harpa. Porém, para eles o mais espantoso, mesmo inconcebível, seria o fato de que os terrestres não tinham deusas. Esses seres não teriam dúvida de que essa inércia, falta de dinamismo dos deuses terrenos e omissão da dualidade, teria inevitavelmente de se manifestar em todos os setores da sociedade humana com terríveis repercussões.

 

Se a procura por excelência é a única forma que pode trazer qualidade individual para que o coletivo se possa transformar, como podemos venerar deuses e heróis indolentes, apáticos e violentos? Se não estão mortos porque continuam sem vida e pendurados em cruzes, em lugar de irradiar vitalidade? Se nos dizem que fomos criados à sua imagem, indolência é a nossa aspiração. Esses arquétipos têm corroído a alma ou psique humana por milênios.

Ameaçando-nos com deuses que tudo vêm, nos obrigam a actuar por medo, tirando-nos a responsabilidade, dignidade e brio pessoal. Por isso muitos só trabalham por medo de perder o salário e por isso não são ativos na sociedade. Sua responsabilidade apenas se restringe ao que está dentro do seu cubo, nada mais; nem brio, nem dignidade, nem amor pelos de fora. Será que realmente somos tão imbecis que precisamos de um chicote o tempo todo? Será que a ambição humana realmente se restringe a copiar deuses incapazes de se relacionar com consortes, vivendo eternamente solitários, apenas refletindo a misóginia grega?

Os heróis do passado, como os deuses da Suméria, transformavam pântanos em portos, construíam edifícios magníficos, iniciavam os humanos  nas várias artes, como a escrita, a escultura e arquitetura e, segundo o livro de Enoque, um livro apócrifo, os semi-deuses ensinavam a mulher nas artes, no uso de pedras preciosas e na medicina. A grande diferença entre a mitologia da Antiguidade e a mitologia atual, é que na Suméria, na Babilônia e no Egito a mulher era respeitada. As deusas faziam parte do panteon e do Olimpo. Elas eram veneradas e tidas como heroínas - seres que se deveria seguir como exemplo. No entanto, no atual Panteon das várias religiões da Terra, principalmente judeo-cristã e islã, a deusa foi retirada do lugar a que teria direito e Fátima, a filha do profeta Maomé, ou a Mãe-Maria não são ativas, apenas piedosas, o que aumenta a insegurança, dependência e falta de objetividade.

Reciclar todas essas crenças é uma urgência. A nossa ânsia por alegria de viver nos obriga a enfrentar a nossa realidade bem de frente para que possamos encontrar soluções. Para isso temos de ir à raiz da cultura. Porém, mesmo que isso nos traga muitos inimigos, não podemos ter medo.

Quando nos apresentam algo de novo temos tendência a rejeitar. Dá muito trabalho pensar de uma maneira diferente. Por outro lado, muitas vezes parece que fomos programados para dirigir o pensamento numa única direção. Um grande exemplo é uma coisa que muito, mas muito me incomoda: frases como:

       Fim do mundo.

       Temos de salvar a Terra.

       Estamos destruindo o planeta.

De uma vez por todas: não estamos aqui para salvar o planeta, mas a humanidade. De uma vez para sempre temos de olhar para dentro e não para fora. A Terra tem sobrevivido a milhares de catástrofes. O meteoro que caiu no Yucatan e destruíu os dinossauros em todos os continentes, não destruíu a Terra. Esta continuou rodando, tendo sido capaz de se recompor em muito pouco tempo. Assim será uma vez mais, não importa quão terrível seja a ação humana, outro meteoro ou cometa.

Quando entendermos que obrigatoriamente teremos de enfrentar a nós mesmos para resolver os nossos problemas, seremos capazes de aceitar o que para muitos continua sendo inaceitável: Nenhum deus nos poderá salvar de nós mesmos, assim como nenhum deus nos poderá condenar. O que nos acontece é só e apenas o resultado das nossas inércias, escolhas e crenças. Temos vida, inteligência e vontade, portanto temos a capacidade de encontrar soluções para os problemas que urgem ser resolvidos. Muitos, senão a maior parte desses problemas, têm as suas raizes em épocas milenárias. Por isso continuamos pensando e sofrendo pelas mesmas razões de nossos antepassados.

O maior mal da Humanidade não é a poluição, mas o desequilíbrio e a ambição que geram essa falta de consciência.

Qual é o maior desequilíbrio que se conhece dentro desse sistema a que chamamos planeta Terra?

1. Da mulher em relação ao homem, 2. Do homem - no desequilíbrio da anima. 3. A extrema miséria mental e material que divide os povos. 4. Confusão entre Divino e deuses, o que provoca pensar que o poder divino nos é externo, impossibilitando-nos de saber quem somos.

Onde começou toda esta tragédia? Se olharmos a História, quem foi o fundador do Patriarcado? O primeiro patriarca? Esse que continuamos venerando como um emissário de deus?

Sabe-se que há 4.000 anos, quando a grande civilização da Suméria pereceu, Abrão, filho de um sacerdote dos deuses sumérios, e sua família foram avisados da eminente tragédia e aconselhados a fugir para as terras de Canaã. No caminho a mulher de Lot olhou para trás (saberia ela que a tragédia eminente não era o fim da sua terra natal, mas da liberdade da Mulher?) e por isso, ela foi transformada numa estátua de sal. Esse símbolo marca a data em que a mulher ou o princípio feminino ficou empedrado – até os dias de hoje.

Entretanto, os deuses da Suméria também partiram, mas um deles ficou: o terrível Marduk, que perseguiu Inana ou Ishtar,  depois dessa mesma deusa o ter ungido quando este se elegeu deus dos deuses e senhor da Terra, na grande Babilônia.  Na mesma altura, em Canaã, Abrão também dava início a uma nova Era: o Patriarcado, enquanto destruía as cidades matriarcais.

Um dos pontos máximos da vida de Abrão foi o seu encontro com Melquisedec, rei de Salém. Muitos dizem que este era sacerdote de Marduk, Jeová ou o Rei do Mundo em pessoa. Na atualidade alguns até lhe chamam “mestre ascendente”. Segundo a Bíblia, Abrão encontrou-se com Melquisedec num período entre guerras, muitas delas onde tinha dizimado vários reinos, e destruído vilas inteiras. Nesse encontro entregou os despojos dessas guerras a Melquisedec, o que teria sido o dízimo, incluindo a única coisa viva que sobrara dos massacres – o gado. Melquisedec abençoou o Chefe Militar e iniciou-o na sua Ordem, o que celebraram, segundo as tradições dos antigos. Ao comerem pão e bebendo vinho, como diz a Bíblia, tal como o faziam os iniciados ao sacerdócio egípcio, Abrão mudou de nome para Abraão e sua mulher Sarai, princesa em Sumério, para Sara, selando assim a fundação do Patriarcado. A partir daí teria de cumprir com as ordens do novo Rei do Mundo ou deus dos deuses. Marduk, a quem também chamavam o Senhor dos Exércitos, teve mais de 50 nomes, um deles foi Baal para os cananeus e outro uma nomenclatura impronunciável que mais tarde deu origem à palavra Jeová, também chamado Senhor dos Exércitos, e que no cristianismo passou a ser chamado Deus Pai, mais tarde Alá para os muçulmanos, selando-se assim os princípios patriarcais. Note-se que na trindade cristã, cópia de muitas tríades e trilogias mais antigas, o paternalismo do patriarcado baniu a mulher. Ísis e todo o seu grandioso simbolismo – morreu, e com ela a mulher ficou ainda mais empedernida e escondida na noite dos tempos. Só isso nos mostra que os nossos deuses não têm nada de Divino. A Consciência ou Força Universal não tem exércitos e não castiga com as artimanhas infernais que os homens tanto necessitam para se impor, alimentando suas carências com a arrogância da ambição.

Esse período da História humana marca o início de um novo sistema político, para o qual o patriarcado era uma necessidade, porque - não sejamos românticos - a única preocupação de deuses e reis tem sido encontrar a melhor forma de controlar os povos.

As populações aumentavam, enquanto cada vez era mais difícil governá-las. Seria muito mais fácil governar ou dominar um milhão do que dois milhões de pessoas. Muito mais fácil governar três bilhões do que seis bilhões. Mas como? Dividindo os sexos em dominante e dominado, a ponto de um ser tão submisso que os governantes não mais teriam de se preocupar com ele. Qual seria o dominante? Não havia dúvida: O homem. Palavras da Gênese: “O teu desejo será para teu homem e ele te dominará”.

Por quê? Porque a mulher era a mais perigosa, visto sempre ter sido ela a mais rebelde, a mais curiosa, a mais corajosa e com grande apetite por saber – o que tão claramente nos mostra o mito de Adão e Eva e a árvore da Sabedoria. Sendo assim, ela foi obrigada a submeter-se, sendo dominada de uma forma muito inteligente, para que também fosse ela a maior defensora das leis que a subjugavam, dominavam e reprimiam, pensando que a protegiam.

Metade da população do mundo dominava a outra metade e os reis sentiam-se assim muito mais seguros. Era também muito conveniente confinar a mulher aos prazeres domésticos, fazendo-a engravidar uma vez por ano, para aumentar o número dos exércitos, e assim a mulher abafava e amordaçava o ritmo da sua sexualidade, passando a simplesmente ser uma fábrica de soldados. Com isso, deixou de ter tempo ou interesse por aprender, ou tentar expressar-se na arte e na escrita. Essa é a razão porque todos os escritores do passado eram homens. Com o tempo, a mulher ficou tão sujeita ao homem que deixou esvair a coisa mais sagrada que os deuses lhe tinham dado: Livre Arbítrio. Passou a pedir permissão para tudo e com isso tornou-se inteiramente dependente o que a tornou irresponsável em relação a si mesma e à sua missão como ser humano. Como os homens tinham várias esposas e concubinas, toda a mulher de qualquer clã tornou-se conflituosa, mas por uma grande causa: para que seus filhos fossem os herdeiros das melhores terras, rebanhos, prestígio ou simplesmente ser o favorito do Patriarca. Na alma da mulher passou a haver uma razão maior do que a vida – a qualidade da descendência.

 

Com o tempo, a mulher convenceu-se que o homem era mais importante do que ela, melhor do que ela, mais capaz do que ela, mais merecedor do que ela, o que ensinou a suas filhas e filhos. As repercussões foram de tal ordem que no século XIX se pensava que a mulher não tinha alma. Comida e sexo que tinham sido as bases do desenvolvimento humano, a partir da implantação do Patriarcado, passaram a ser motivo de escravidão, e o macho não mais precisava de se aperfeiçoar para atrair as melhores fêmeas. Isso o levou a acomodar-se em uma posição onde não tinha responsabilidade, mas que o privilegiava. A mulher passou a não ter como comparar! Enquanto que anteriormente os homens se aprimoravam para serem escolhidos, agora se acovardavam por trás de um direito que não lhes pertencia e a qualidade humana entrou em declínio. Mas isso também era parte do plano dos deuses, que tinham criado o homem para lhes ser útil ou dos reis que apenas queriam ter grandes exércitos.

Os tempos mudaram e hoje o nosso foco tem de ser a jovem Humanidade que apenas tem 100 mil anos - um bebê sem consciência. Temos que ensiná-la a andar, comer, viver, produzir e deixar de ser violenta. Ela ainda brinca com o fogo, porque lhe tem faltado uma mãe verdadeiramente livre que a ensine a ser responsável.

Quando apenas pensamos na mulher como um produto da injustiça do machismo, nada podemos resolver. O machismo também é vitima da nossa cultura. Por ser a mulher quem educa, ela tem de ser a primeira a modificar uma maneira de pensar inteiramente inadequada e obsoleta. Se a mulher for irresponsável, o homem também o será. Se a mulher for incapaz, inculta, mesquinha etc. o homem também o será.

 

Por que temos tanta falta de líderes? Porque quando uma sociedade está desequilibrada, nos seus dois principais componentes, homem e mulher, as idéias chegam a um ponto de exaustão e começam a esgotar. Sem idéias novas não há entusiasmo. E sem entusiasmo não há líderes. Precisamos modificar as nossas crenças e deixar de idolatrar os fundadores desta terrível situação. Precisamos de novos sistemas de idéias assim como novos códigos de vida.

Por outro lado, temos de deixar de ver ou permitir que nossos filhos e netos vejam filmes cheios de violência, ou outros que parecem ser dirigidos a imbecis ou atrasados mentais. Temos de lhes mostrar as alegrias da responsabilidade e a volúpia que se sente quando tudo o que fazemos é tocado pela varinha mágica da excelência. Mostrar-lhes a grandeza de ir além dos limites e do bem que isso nos faz sentir. A violência e a demência coletiva foram criadas para nos dividir, mas hoje o que mais desejamos não é apenas sobreviver, mas união, essa que nos ajuda na nossa própria evolução.

Esse é o nosso compromisso, que tem de ser ensinado às gerações futuras pelas mães, avós e tias, para que haja o equilíbrio necessário para a Grande Transformação ou Metamorfose que tanto desejamos. Nas escolas temos de trocar as aulas de moral por ética. Passar a ter classes que ensinem como o cérebro funciona e qual a função da vontade. Classes de auto-respeito, autoconfiança, auto-conhecimento; classes sobre sexualidade, dignidade, nobreza e respeito pelo ser humano, seja homem ou mulher. De que nos serve saber matemática, geografia ou economia, se não sabemos ser Gente?

Numa era em que tanto se fala de reciclagem, temos que, em primeiro lugar, nos lembrar que a verdadeira responsabilidade só poderá acontecer quando formos capazes de reciclar as nossas idéias, conceitos, paradigmas, crenças e cultura. Dar à mulher o lugar que ela sempre teve antes da era patriarcal, e amá-la verdadeiramente para que ela se sinta confiante e capaz de iniciar essa caminhada tão árdua que tem pela frente. Queiramos aceitar ou não, a mulher é a candeia da Humanidade. No dia em que ela não mais defender as leis que a reprimem e subjugam, tudo o que a consome perderá a energia. Seus filhos não mais nascerão para serem soldados, mas para construir um mundo melhor. Só assim as profecias dos deuses serão cumpridas.

Quando Zeus e Prometeu criaram Pandora, disseram que ela traria à raça humana o direito de existir e de se desenvolver, onde a razão teria supremacia sobre a violência e onde a Humanidade seria livre para aprender ou não aprender.

Na mitologia hindu, a mulher, Sakunztala, foi criada para equilibrar a Humanidade.  

No Evangelho de Tomé – Evangelhos Gnósticos, Cristo diz-nos: “Quando fizerdes do macho e da fêmea um e o mesmo... Então entrareis no Reino”.

Partindo do princípio que a teoria dos 100 macacos representa uma realidade, sabemos que há um número mágico para uma grande mudança. Alguns dizem que quando 1% da população mundial tiver atingido um elevado nível de consciência e desejo de paz, aliados a um grande amor pela Humanidade, obrigatoriamente o resto do mundo terá de mudar. Como disse Mahatma Gandhi, “Se um único homem chega à plenitude do amor, neutraliza o ódio de milhões”. É pela esperança que essa teoria nos dá que não podemos resignar-nos ou virar as costas ao sofrimento humano, como sendo um fato consumado, mas atuar de acordo com o quinhão de responsabilidade a que a nossa natureza humana nos obriga, segundo o padrão gravado no instinto de preservação da raça.

É muito importante que tenhamos consciência de que as dificuldades que a mulher tem enfrentado ao longo da História, e continua enfrentando, tiveram e têm como consequência a irresponsabilidade social, visto o paternalismo ser a guilhotina da nobreza e da responsabilidade.

Não é a mulher que levará a paz à Terra, mas a harmonia entre homem e mulher, assim como a harmonia da anima em cada um. Muitas mulheres têm sido e são cruéis, iniciativa que tomam por opção num mundo masculino, mas tanto a crueldade feminina como masculina tende a desaparecer com o equilíbrio de forças que apenas parecem ser opostas, mas que na realidade são complementares.

A mulher nunca poderá desenvolver-se sem a ajuda do homem e este nunca deixará de ser violento sem a ação consciente e ativa da mulher. Lutar pelos direitos da mulher implica também lutar pelos direitos do homem. Essa luta é muito mais do que uma atitude cívica, é uma luta pela sobrevivência da Humanidade.

A Paz no mundo é possível, mas para isso teremos de defender não só a independência da mulher, mas também do homem. Proponho que em todos os paises seja obrigatório como parte do currículo escolar, cursos de direitos humanos para ambos os sexos, desde o primeiro ano do primário ao último da universidade.

Sem o equilíbrio de homem e mulher seremos apenas uma espécie em extinção. O nosso alvo é desfazer a intriga milenária de deuses e reis, quebrando a divisão a que nos sujeitaram e subordinaram por 4.000 anos. Chegou a hora de sermos verdadeiramente responsáveis e tomarmos as rédeas da nossa existência, a qual só tem um objetivo: a realização individual no caminho da evolução.

Para terminar quero apenas dar um exemplo de separação e união. Um simples cristal de sal de mesa contem 10 bilhões de átomos de sódio e cloro. Estes átomos estão sujeitos às leis da natureza, sendo a razão da regularidade do movimento e existência do Universo. O que são esses átomos do cristal de sal quando separados? O cloro é um mortal gás venenoso. O sódio é um metal corrosivo que queima em contato com a água. Juntos são a base elementar da vida.

         Dois seres na sua fusão física formam vida. Na fusão integral e magnética de suas almas e do seu amor também provocam outro nascimento, esse que ainda não sabemos sonhar, mas que seguramente nos encaminhará a outro plano de existência. A isso os gregos chamariam a suprema harmonia dos opostos.

Pensemos nisso no silêncio da nossa intimidade. Sejamos o exemplo vivo de que não há impossíveis.

 

 

Pequena biografia da escritora:

Rosa DeSouza nasceu em Lisboa, Portugal, estudou literatura em Paris e contabilidade nos Estados Unidos, país onde viveu a maior parte da sua vida. Embora tenha dupla nacionalidade, luso-americana, vive na cidade de Florianópolis, SC. É casada com o locutor/ator catarinense, Aguinaldo José de Souza Filho.

Rosa viajou muito e conheceu profundamente várias religiões e ideologias, conhecimento que a fortificou ao ponto de provocar uma grande transformação no seu ser e é sobre isso que gosta de escrever. Para ela o único sentido possível da existência, é a realização pessoal de cada um, assim como a evolução da Humanidade.

 www.rosadesouza.com

 

SOM: Chopin Nocturno em mi bemol maior op55 nº2.

Programação e Design: Victor Jerónimo

Imagem: Victor Jerónimo

 

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